O início da minha escolarização em
arte não foi muito diferente dos citados nas leituras ou vídeos. Apesar de eu
amar ir à escola já no jardim de infância, não pude concluir esse ao letivo
porque minha avó me super protegia e não deixava eu ir a escola, porque ficava
doente. Mas as minhas lembranças do meu jardim, na época de 5 para 6 anos, no
início dos anos 80 eram boas; minhas professoras costumavam a trabalhar as
folhas mimeografadas prontas, e também trabalhos em grupos com construções e pinturas
com materias diversos e tintas. Até tínhamos alguns desenhos livres.
Já nesse tempo tínhamos a
implantação dessa arte tecnicista, padronizada. Nos meus anos iniciais foram só
folhinhas prontas, o que me levou a acreditar e interiorizar que eu não sabia
desenhar, que a arte não era para mim, que eu não tinha dom, pois não seguia
aquele padrão de perfeição. Isso nos causa frustração e inibição.
Nos meus anos finais tive como
professora de artes a minha professora de ciências (falta professor de artes,
coloca-se aquele que precisa completar carga horária, até hoje é assim). Já na
1ª aula da 5ª série ela “brigou” comigo porque eu não sabia desenhar direito e
nem usar a régua (uma vergonha, na frente de todos).
Depois no E.M ao cursar
magistério, não conseguia fazer nada livre, nem me arriscava, nem na pintura;
só usando moldes (tenho a pasta até hoje). Lembro-me que quando no 3º ano, fui
chamada atenção pela professora (que era de educação física, mas dava artes
porque era artesã), por um cartaz de aniversário com um palhaço, em que ela
disse como eu teria coragem de usar tal lixo como cartaz no meu estágio (isso
perante 35 colegas). Ao menos, foram professoras como essas que me ensianram
mesmo na dor, o tipo de professor que eu não seria. Mas as marcas são
profundas, ficam na alma até hoje, pois não é a toa que as relato aqui (ufa).
Desculpe pelo desabafo, tentei ser suscinta, por mais espantoso que pareça foi
doloroso relatar esses acontecimentos aqui.
Onde a minha vida foi melhorar?
Onde os meus traumas começaram a passar? Quando em 2013 fui trabalhar na
educação infantil, onde fiquei por 4 anos. Amei tudo de bom que vivi lá, guardo
esse aprendizado e esse olhar sobre a arte e o desenvolvimento dos pequenos
sempre comigo, com muito carinho e
saudade. Foi uma época de paz e muitas construções e ressignificações na minha
vida e carreira.
Tudo o que não aprendi como aluna
nas escolas sobre arte, aprendi com meus alunos fazendo arte. Especialmente nas
nossas pinturas e lambanças. O fato de construir na educação infantil, utilizar
elementos diversos e seus reusos (coração da bióloga aqui), fiz minhas paes com
a arte. Ao longo da vida, nos últimos tempos procurei visitar exposições,
museus e as bienais, que tanto curto.
Ao cursar essa disciplina no final
do PEAD e acompanhar o trabalho da
professora Susana pelas redes sociais, percebi que estou indo no caminho certo.
Como ela disse na última aula presencial, que arte não é sujeira, que devemos
cuidar as palavras que usamos, pois mesmo indiretamente podemos ferir ou maquiar
as ações e os sentimentos em torno da arte.
Ao menos, tentei não passar esse
meu medo da arte na minha caminhada como professora, sempre falando aos meus
pequenos que cada um tem seu jeito próprio de desenhar (outra face que a psicopedagogia,
me deu). Ao finalizar esse texto, me lembro e remeto a duas citações:
“Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que
ensina.”
Cora
Coralina
“Antes de uma criança começar a falar, ela canta. Antes
dela escrever, ela desenha. No momento que consegue ficar em pé, ela dança. Arte
é fundamental para a expressão humana.’
Phylicia
Rashad
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