sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Meu desabafo sobre a arte.


O início da minha escolarização em arte não foi muito diferente dos citados nas leituras ou vídeos. Apesar de eu amar ir à escola já no jardim de infância, não pude concluir esse ao letivo porque minha avó me super protegia e não deixava eu ir a escola, porque ficava doente. Mas as minhas lembranças do meu jardim, na época de 5 para 6 anos, no início dos anos 80 eram boas; minhas professoras costumavam a trabalhar as folhas mimeografadas prontas, e também trabalhos em grupos com construções e pinturas com materias diversos e tintas. Até tínhamos alguns desenhos livres.
Já nesse tempo tínhamos a implantação dessa arte tecnicista, padronizada. Nos meus anos iniciais foram só folhinhas prontas, o que me levou a acreditar e interiorizar que eu não sabia desenhar, que a arte não era para mim, que eu não tinha dom, pois não seguia aquele padrão de perfeição. Isso nos causa frustração e inibição.
Nos meus anos finais tive como professora de artes a minha professora de ciências (falta professor de artes, coloca-se aquele que precisa completar carga horária, até hoje é assim). Já na 1ª aula da 5ª série ela “brigou” comigo porque eu não sabia desenhar direito e nem usar a régua (uma vergonha, na frente de todos).
Depois no E.M ao cursar magistério, não conseguia fazer nada livre, nem me arriscava, nem na pintura; só usando moldes (tenho a pasta até hoje). Lembro-me que quando no 3º ano, fui chamada atenção pela professora (que era de educação física, mas dava artes porque era artesã), por um cartaz de aniversário com um palhaço, em que ela disse como eu teria coragem de usar tal lixo como cartaz no meu estágio (isso perante 35 colegas). Ao menos, foram professoras como essas que me ensianram mesmo na dor, o tipo de professor que eu não seria. Mas as marcas são profundas, ficam na alma até hoje, pois não é a toa que as relato aqui (ufa). Desculpe pelo desabafo, tentei ser suscinta, por mais espantoso que pareça foi doloroso relatar esses acontecimentos aqui.
Onde a minha vida foi melhorar? Onde os meus traumas começaram a passar? Quando em 2013 fui trabalhar na educação infantil, onde fiquei por 4 anos. Amei tudo de bom que vivi lá, guardo esse aprendizado e esse olhar sobre a arte e o desenvolvimento dos pequenos sempre comigo, com  muito carinho e saudade. Foi uma época de paz e muitas construções e ressignificações na minha vida e carreira.
Tudo o que não aprendi como aluna nas escolas sobre arte, aprendi com meus alunos fazendo arte. Especialmente nas nossas pinturas e lambanças. O fato de construir na educação infantil, utilizar elementos diversos e seus reusos (coração da bióloga aqui), fiz minhas paes com a arte. Ao longo da vida, nos últimos tempos procurei visitar exposições, museus e as bienais, que tanto curto.
Ao cursar essa disciplina no final do PEAD  e acompanhar o trabalho da professora Susana pelas redes sociais, percebi que estou indo no caminho certo. Como ela disse na última aula presencial, que arte não é sujeira, que devemos cuidar as palavras que usamos, pois mesmo indiretamente podemos ferir ou maquiar as ações e os sentimentos em torno da arte.
Ao menos, tentei não passar esse meu medo da arte na minha caminhada como professora, sempre falando aos meus pequenos que cada um tem seu jeito próprio de desenhar (outra face que a psicopedagogia, me deu). Ao finalizar esse texto, me lembro e remeto a duas citações:
“Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
                                                           Cora Coralina
“Antes de uma criança começar a falar, ela canta. Antes dela escrever, ela desenha. No momento que consegue ficar em pé, ela dança. Arte é fundamental para a expressão humana.’
                                                           Phylicia Rashad


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