Síntese:
sobre aquisição da linguagem
Escolhi postar essa atividade, pois gostei de como ficou a construção do desse meu texto. Sempre fui muito receosa na minha escrita, mas creio que nesta síntese pude contemplar a expressão eficiente das minhas ideias de forma sucinta.
Escolhi postar essa atividade, pois gostei de como ficou a construção do desse meu texto. Sempre fui muito receosa na minha escrita, mas creio que nesta síntese pude contemplar a expressão eficiente das minhas ideias de forma sucinta.
Cognitivismo
A abordagem construtivista, influenciada pelos estudos do
biólogo e filósofo Piaget, rompe com o pensamento associacionista formulado por
Skinner, pois afirma que a criança constrói uma compreensão sobre o
funcionamento do mundo físico a partir de suas ações, é importante ressaltar
que Piaget não se preocupou especificamente com uma teoria sobre a aquisição da
linguagem. Seu objetivo prioritário foi o de entender a natureza do
conhecimento humano, sendo suas análises sobre a linguagem secundárias e
decorrentes dos estudos em torno da questão de como a criança desenvolve sua
cognição, de como ela aprende.
Para Piaget a linguagem não é inata, só o funcionamento
da inteligência é hereditário, sendo dependente de ações sucessivas, exercidas
sobre os objetos e o ambiente. A partir disso, o funcionamento intelectual,
resultante de uma hereditariedade, viabiliza a interação do organismo com o
mundo físico. Dessa interação são geradas estruturas de inteligência que, ao se
desenvolverem, passam por uma série de estágios que se desenvolvem a partir da
ação dos sujeitos sobre o mundo.
Tais estágios construídos hierarquicamente em razão de
certas propriedades do pensamento dividem-se em: sensório-motor,
pré-operatório, operações concretas e formais. Para Piaget (1993), o surgimento
da linguagem está na dependência de construções próprias da inteligência
sensório-motora.
“A linguagem não constitui a origem da
lógica mas, pelo contrário, é estruturada por ela. Em outros termos, as raízes
da lógica terão de ser buscadas na coordenação geral das ações (incluindo
condutas verbais) a partir do nível sensório-motor cujos esquemas parecem ter importância
fundamental desde o princípio. (Piaget, 1993, p.78)”
A partir do primeiro estágio, a criança constrói um
conjunto de subestruturas cognitivas que lhe servirá de base para o
desenvolvimento da função simbólica. A função simbólica “consiste em poder
representar alguma coisa, um significado qualquer: objeto, acontecimento,
esquema conceitual, etc.). Por meio de um significante diferenciado e que só
serve para a apresentação.” (Piaget, 1993, p.46).
Segundo essa visão, a partir do surgimento da função
simbólica no
desenvolvimento infantil, ocorre a passagem do plano de ação para o plano de
representação. Dessa maneira, o cognitivismo piagetiano pressupõe que a criança
começa a estruturar num nível sensório-motor, a partir de suas ações, noções de
tempo e espaço. À medida que suas funções cognitivas se desenvolvem, a criança
conseguirá revelar, na sua linguagem, a evolução dessas noções.
Algumas críticas e reflexões sobre o cognitivismo:
● Subestimar os aspectos
culturais e históricos, bem como o papel das relações sociais no
desenvolvimento da criança;
● Subordinar o
desenvolvimento da linguagem ao desenvolvimento cognitivo;
● Desconsiderar a
importância da linguagem no desenvolvimento cognitivo;
● Considerar a aquisição do
conhecimento como fruto da interação entre organismo e ambiente, e não entre
sujeitos.
Interacionismo
O Interacionismo
proposto pelo psicólogo soviético Vygotsky,
parte do princípio de que o pensamento e
linguagem não podem ser pensados separadamente, uma vez que atribui à
atividade simbólica, viabilizada pela fala, uma função organizadora do
pensamento.
Nesse processo, ao social é atribuído papel de destaque,
uma vez que é a partir dele que ocorre a inserção do sujeito no plano
simbólico. Ou seja, a criança, no início da aquisição de sua linguagem, não é
um sujeito já constituído, cujo acesso ao objeto linguístico se dá de maneira
direta, isto é, não mediado pelo outro. Pelo contrário, Vygotsky considera que
o sucesso de tal aquisição por parte da criança depende do outro, seja, de um
membro de sua espécie, representante da ordem simbólica que se medirá, por sua
vez, a relação da criança com estados e coisas do mundo.
O
importante papel da linguagem na constituição do sujeito se manifesta pelo que
se chama de internalização na ação e do diálogo. Entende o processo de
internalização como uma reconstrução interna de uma operação externa, para a
qual deve ocorrer uma atividade mediada pelo outro, já que a efetivação da
internalização vai depender da reação de outras pessoas. Por fim, que a
internalização de conhecimentos e da própria linguagem ocorrerá, dependendo da
forma como a interação com o outro modificar e ampliar os recursos da criança.
Sendo esse processo vivido por ambos, pode-se dizer que
dá origem a uma história do discurso díade (entre a criança e aqueles que a
assistem, entre a crianças com outras crianças). Podemos dizer que o diálogo
passa a ser o lugar de inserção da criança na linguagem e, portanto, é a partir
dele e, apenas dele, que o desenvolvimento da linguagem pode se efetivar.
A partir dessa premissa, a atividade interpretativa do
interlocutor é determinante na constituição da linguagem, uma vez que, quando
uma criança produz som, uma palavra, um enunciado, o outro toma essa produção
como um dizer dirigido a ele e, ao interpretá-lo, remete-o uma zona de
significação e, portanto, insere a criança no curso do desenvolvimento da
linguagem.
Ressaltamos que para Vygotsky, a linguagem é uma
atividade significante por excelência, bem como o pensamento, razão pela qual é
no significado das coisas e das palavras que esse autor encontra a unidade
entre o pensamento e a linguagem e, desse modo, dos elementos a partir dos
quais o sujeito se constitui.
“O significado de uma palavra representa
uma amálgama tão estreita do pensamento e da linguagem, que fica difícil dizer
se se trata de um fenômeno da fala ou de um fenômeno no pensamento. Uma palavra
sem significado é um som vazio; o significado, portanto, é um critério da
palavra, seu componente indispensável (Vygotsky, 1989, p. 404).”
Chamamos atenção para o fato de que tal
orientação teórica é extremamente fecunda para o ensino. Uma vez que, para
Vygotsky, a linguagem tem papel preponderante na aquisição dos conhecimentos,
há uma interdependência dos indivíduos no processo de ensino-aprendizagem.
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