domingo, 24 de junho de 2018

A aquisição da linguagem

Síntese: sobre aquisição da linguagem

Escolhi postar essa atividade, pois gostei de como ficou a construção do desse meu texto. Sempre fui muito receosa na minha escrita, mas creio que nesta síntese pude contemplar a expressão eficiente das minhas ideias de forma sucinta. 

Cognitivismo
            A abordagem construtivista, influenciada pelos estudos do biólogo e filósofo Piaget, rompe com o pensamento associacionista formulado por Skinner, pois afirma que a criança constrói uma compreensão sobre o funcionamento do mundo físico a partir de suas ações, é importante ressaltar que Piaget não se preocupou especificamente com uma teoria sobre a aquisição da linguagem. Seu objetivo prioritário foi o de entender a natureza do conhecimento humano, sendo suas análises sobre a linguagem secundárias e decorrentes dos estudos em torno da questão de como a criança desenvolve sua cognição, de como ela aprende.
            Para Piaget a linguagem não é inata, só o funcionamento da inteligência é hereditário, sendo dependente de ações sucessivas, exercidas sobre os objetos e o ambiente. A partir disso, o funcionamento intelectual, resultante de uma hereditariedade, viabiliza a interação do organismo com o mundo físico. Dessa interação são geradas estruturas de inteligência que, ao se desenvolverem, passam por uma série de estágios que se desenvolvem a partir da ação dos sujeitos sobre o mundo.
            Tais estágios construídos hierarquicamente em razão de certas propriedades do pensamento dividem-se em: sensório-motor, pré-operatório, operações concretas e formais. Para Piaget (1993), o surgimento da linguagem está na dependência de construções próprias da inteligência sensório-motora.
            “A linguagem não constitui a origem da lógica mas, pelo contrário, é estruturada por ela. Em outros termos, as raízes da lógica terão de ser buscadas na coordenação geral das ações (incluindo condutas verbais) a partir do nível sensório-motor cujos esquemas parecem ter importância fundamental desde o princípio. (Piaget, 1993, p.78)”
            A partir do primeiro estágio, a criança constrói um conjunto de subestruturas cognitivas que lhe servirá de base para o desenvolvimento da função simbólica. A função simbólica “consiste em poder representar alguma coisa, um significado qualquer: objeto, acontecimento, esquema conceitual, etc.). Por meio de um significante diferenciado e que só serve para a apresentação.” (Piaget, 1993, p.46).
            Segundo essa visão, a partir do surgimento da função simbólica                           no desenvolvimento infantil, ocorre a passagem do plano de ação para o plano de representação. Dessa maneira, o cognitivismo piagetiano pressupõe que a criança começa a estruturar num nível sensório-motor, a partir de suas ações, noções de tempo e espaço. À medida que suas funções cognitivas se desenvolvem, a criança conseguirá revelar, na sua linguagem, a evolução dessas noções.
            Algumas críticas e reflexões sobre o cognitivismo:
● Subestimar os aspectos culturais e históricos, bem como o papel das relações sociais no desenvolvimento da criança;
● Subordinar o desenvolvimento da linguagem ao desenvolvimento cognitivo;
● Desconsiderar a importância da linguagem no desenvolvimento cognitivo;
● Considerar a aquisição do conhecimento como fruto da interação entre organismo e ambiente, e não entre sujeitos.

Interacionismo
            O Interacionismo proposto pelo psicólogo soviético Vygotsky, parte do princípio de que o pensamento e linguagem não podem ser pensados separadamente, uma vez que atribui à atividade simbólica, viabilizada pela fala, uma função organizadora do pensamento.
            Nesse processo, ao social é atribuído papel de destaque, uma vez que é a partir dele que ocorre a inserção do sujeito no plano simbólico. Ou seja, a criança, no início da aquisição de sua linguagem, não é um sujeito já constituído, cujo acesso ao objeto linguístico se dá de maneira direta, isto é, não mediado pelo outro. Pelo contrário, Vygotsky considera que o sucesso de tal aquisição por parte da criança depende do outro, seja, de um membro de sua espécie, representante da ordem simbólica que se medirá, por sua vez, a relação da criança com estados e coisas do mundo.
O importante papel da linguagem na constituição do sujeito se manifesta pelo que se chama de internalização na ação e do diálogo. Entende o processo de internalização como uma reconstrução interna de uma operação externa, para a qual deve ocorrer uma atividade mediada pelo outro, já que a efetivação da internalização vai depender da reação de outras pessoas. Por fim, que a internalização de conhecimentos e da própria linguagem ocorrerá, dependendo da forma como a interação com o outro modificar e ampliar os recursos da criança.
            Sendo esse processo vivido por ambos, pode-se dizer que dá origem a uma história do discurso díade (entre a criança e aqueles que a assistem, entre a crianças com outras crianças). Podemos dizer que o diálogo passa a ser o lugar de inserção da criança na linguagem e, portanto, é a partir dele e, apenas dele, que o desenvolvimento da linguagem pode se efetivar.
            A partir dessa premissa, a atividade interpretativa do interlocutor é determinante na constituição da linguagem, uma vez que, quando uma criança produz som, uma palavra, um enunciado, o outro toma essa produção como um dizer dirigido a ele e, ao interpretá-lo, remete-o uma zona de significação e, portanto, insere a criança no curso do desenvolvimento da linguagem.
            Ressaltamos que para Vygotsky, a linguagem é uma atividade significante por excelência, bem como o pensamento, razão pela qual é no significado das coisas e das palavras que esse autor encontra a unidade entre o pensamento e a linguagem e, desse modo, dos elementos a partir dos quais o sujeito se constitui.
            “O significado de uma palavra representa uma amálgama tão estreita do pensamento e da linguagem, que fica difícil dizer se se trata de um fenômeno da fala ou de um fenômeno no pensamento. Uma palavra sem significado é um som vazio; o significado, portanto, é um critério da palavra, seu componente indispensável (Vygotsky, 1989, p. 404).”
            Chamamos atenção para o fato de que tal orientação teórica é extremamente fecunda para o ensino. Uma vez que, para Vygotsky, a linguagem tem papel preponderante na aquisição dos conhecimentos, há uma interdependência dos indivíduos no processo de ensino-aprendizagem.
           
             
                                                                                              

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