A
cada semestre fica mais difícil conciliar o trabalho, a casa, a família e os
estudos. Porém, ao mesmo tempo em que ficam mais difícil, as ligações criadas e
estabelecidas do estudo das interdisciplinas ao longo do curso com a minha
prática pedagógica em sala de aula se faz mais coerente e ligada.
É interessante essa conexão, parece uma teia
em que os conhecimentos se ligam como se fossem uma grande e complexa teia
alimentar.
Somos frutos do que nos acontece ao
longo de nossas vidas, aprendemos com as experiências e não deixemos nos afetar
pela negatividade, então de nada adianta se lamuriar.
Nesse eixo investi nas disciplinas
que mais tenho afinidade, interesse e gosto como citarei mais adiante. E pequei
em Filosofia e Escola, cultura e sociedade. As aprendizagens ficaram e vamos
rumo ao sétimo semestre!
No início do semestre minhas
considerações até leigas sobre aprendizagem eram:
“Aprendizagem para mim, é a assimilação dos conhecimentos e vivências do
senso comum e experiências cotidianas adquiridas ao longo do tempo. Sendo estas
relacionadas e reconstruídas com o senso científico, crítico adquirido na
escola e demais ambientes que nos cerca.”
Após
as primeiras leituras:
“Após a leitura do texto, pude me
aprofundar mais no tema, refletir e reconstruir melhor meu conceito. Assim,
como o processo de aprendizagem perpassa pela assimilação, ambientabilidade e
experiências, com diversas construções e reconstruções ao longo da vida, não
somente na escola. Pois viver é um eterno aprender, mas já desde a nossa tenra
existência e infância criamos vínculos e laços de afeto e assim estabelecemos a
cognição, a construção, o desenvolvimento e o conhecimento segundo Piaget (isso
para mim em especial é muito forte), além dos nossos instintos naturais de
sobrevivência (genética, espécie e evolução), aprendemos e incluímos
aprendizado também com o meio que nos rodeia (Wallon) com intermédio de quem
convivemos e nos relacionamos, e na escola tendo o professor como orientador e
mediador dessas aprendizagens, que devem ser significativas. Ao evoluir da
nossa idade e maturidade, fazemos processo seletivo do que nos é válido
aprimorar ou não.” (Observação:
retirada da minha escrita no fórum).
E ao longo do semestre esse conceito
evolui e foi criando corpo, acredito que isso aparece na minha escrita e
apresentação. Mas vai muito além disso, mesmo pesquisando e reconstruindo
conceitos para aprendizagem, vejo que isso é muito pessoal como se percebe nas
leituras do fórum e dos autores e como vemos nos relatos das apresentações dos
colegas.
“Aprendizagem
com base em Piaget (1999) e Vygotsky (2000;2001) a aprendizagem é compreendida
como um processo de apropriação pessoal do sujeito, um processo significativo
que constrói um sentido de mudança.”
Parte A: O filme
É difícil escolher uma cena do filme
indicado: “Como estrelas na terra” ou até mesmo algumas, pois me emocionei
muito com o mesmo e em até alguns momentos fui às lágrimas. Mesmo sendo um
filme muito extenso, ele prende nosso interesse e atenção do início ao fim,
sendo professor ou não. Digo isso porque meu filho de 14 anos assistiu comigo e
se emocionou, não sei se é porque ele tem dificuldade em matemática e se
identificou com isso, mas eu como aluna criança e atual professora me vi em
ambas as situações ali apresentadas.
Sendo assim, a cena que mais me
tocou foi quando o novo professor de arte pesquisou nos cadernos do menino encontrando
um padrão de escrita, verificando assim a dislexia. Emocionei-me até com o
suspiro dele, por ter se identificado com aquela criança, por ter tido a
sensibilidade de ter, realmente, ele o único que viu a natureza e o estigma carregado naquele menino. Tendo
a iniciativa, a partir de então de viajar até os pais da criança (e eu já fiz
muito disso de ir até a casa da criança para conhecer mais e conversar com a
família), e apresentar a eles a situação e as potencialidades daquele filho.
Outras cenas, que me tocaram
profundamente foram em especial às reações do pai do menino, naquela angústia
de acertar, ser disciplinado, criar e educar um filho para a competitividade do
mundo lá fora, até mesmo a modelo do irmão. Demonstrava um sofrimento, um
sentimento sincero de dor e de cobrança a si mesmo por não ter no filho mais
novo os moldes que a sociedade quer, como se nós fôssemos todos bonecos de
gesso sem expressão, apenas maquinicistas para a produção em massa.
Esse sentimento é apenas humano, não
me refiro a ser ou não educador, familiar ou estudioso. É claro que à medida
que vivemos nosso desenvolvimento passa
por experiências que nos modificam ao longo da vida. Nunca terminamos um dia
igual ao outro, ainda bem, dou graças porque sempre aprendemos seja a
experiência boa ou ruim ( e acredito que aprendemos mais com as não tão boas,
porque temos que nos adaptar).
A
nossa prática e estudo nos auxiliam nesse olhar especial sobre a diversidade de pessoas e de saberes.
Infelizmente, nem todos os professores possuem essa sensibilidade, já tive
muitos colegas que estão no magistério por comodismo e até mesmo por considerar
a pedagogia algo fácil, como se fosse possível. É incrível ainda ouvir em pleno
século XXI, um professor se referindo que aluno só tem que copiar, não tem que
abrir a boca porque o seu salário como professor será o mesmo no fim do mês
(Estância Velha, 2017), para que se importar tanto.
Retomando
a história do filme e o seu início, também relacionando com a minha prática e própria
história de vida, eu vi naquele menino a dificuldade que eu tinha em matemática
até o final do ensino médio, quando era de uma forma discreta chamada de burra
por alguns professores e nem tanto assim, pelos próprios colegas.
Sabemos
então que o bullyng (assédio moral), não é uma moda nova, que ele já existia e
sempre existiu. Que as diferenças, a discriminação e o preconceito,
infelizmente acompanham a história humana e escolar. Gostaria muito que
acabassem, mas para tal o
respeito mútuo deveria ser uma lei universal,
assim como a paz mundial que as moças pedem em concurso de miss. Não sei se a
minha geração era mais forte, talvez se fosse eu não estaria redigindo isso
aqui, porque as marcas na alma ficam. E isso não é coisa apenas da atualidade,
da tão falada geração mimimi. Porque se vejo algum aluno machucando outro ou falando
algum tipo de ofensa tomo as dores e saio em defesa do oprimido, como se
defendesse a mim mesma e a toda a minha geração.
Saliento
que a beleza da vida está em sermos diferentes e em nossa especificidade. Que
graça teria se fôssemos todos iguais, como algumas bactérias. Não estou dizendo
que isso seja fácil e nem mesmo uma utopia, mas que juntos e de boa vontade
podemos amenizar os problemas que nos distanciam, podemos ver beleza no ser do
outro, em seu interior e valor.
Aí
a gente escuta aquela história que somente pessoas especiais receberiam a
chance de ser pais de alunos especiais. Mas discordo dessa máxima, acho que
somos pessoas comuns sendo pais e professores de pessoas especiais, para que
aprendamos com eles. Aquilo que é muito normal, certinho ou clássico não nos
desafia e se não nos desafia não nos ensina nada, porque não nos desacomodou e
não nos levou a pensar em novas soluções e perspectivas.
Não
tinha escrito mais na primeira versão do texto, porque fiz na corrida após ver
o filme no dia de postar em janeiro. Mas após isso, em algumas páginas que
acompanho na rede social facebook apareciam a propaganda para assistir a esse
filme que os senhores recomendaram, segui compartilhando para que qualquer
pessoa que se interesse possa assisti-lo, não somente professores.
Além
disso, não escrevi mais antes porque estava esperando um retorno da comissão de
vocês, professores, pois não queria fazer apenas um resumo até porque acho que
esse não era o objetivo. E sim, relacionar a história do filme com a nossa
práxis pedagógica e com a nossa vida cotidiana, até mesmo como pais ou reles
mortais.
Já
na minha apresentação em slides, também feita no final de janeiro: desta vez
coloquei apenas fotos relacionadas com as interdisciplinas e a minha prática e
vida cotidiana de ações e pessoas que fazem parte da minha vida, porque baseada
nas fotos consigo relacioná-las melhor ao invés de escrever grandes textos
prefiro falar e explicar.
Apesar
de não endeusar nenhum teórico e preferir escrever por mim mesma, mesmo assim
correndo alto risco. Tenho cada vez mais na minha vida e metodologia utilizado
pensamentos do professor Paulo Freire como aparece de forma recorrente no meu
blog, nas minhas sínteses, demais trabalhos e slides, por isso coloquei ele
como referência bibliográfica, por me identificar com o seu alto grau de
sensibilidade. Como é o meu caso, um ser não muito delicado afirmo que os ogros
e os brutos também amam!
As
disciplinas que mais gostei esse semestre e com as quais mais aprendi, tem relação
direta com essa minha escrita:
·
Necessidades especiais: já havia estudado na pós e no curso de AEE,
mas pela visão da pedagogia me deu outro olhar e outro toque.
·
Étnico-raciais: adorei a atividade da entrevista com o rapaz de outra etnia,
ouvir suas histórias, compartilhar suas vivências, anseio e até porque não a
sua emoção, sua visão sobre viver no Brasil, etc.
·
Psicologia: para mim sempre uma disciplina e estudo fascinantes (ao longo de todo o
curso), por estabelecer conexões das aprendizagens com as emoções,
estudo e pensamento humano e seus reflexos em nosso cotidiano e práxis.
·
Seminário Integrador VI: a atividade dessa disciplina que mais
gostei nesse semestre, foi a da enquete, mesmo sem saber fazer direito, ao
menos foi mais uma ferramenta eu aprendi. E escolhi um tema sobre preconceito e
discriminação ao qual sofro e me identifico.
Não sou muito boa em sustentar argumentos
baseada em outros autores, não que os desconsidere para tal, porém prefiro usar
dos meus argumentos, das minhas vivências e principalmente dos meus sentimentos
para isso.
Ao ver que o filme era indiano, percebi ao
longo da história que não á apenas em nosso país que temos esse tipo de falta
de acessibilidade com os nossos alunos. E falo de acessibilidade como um
todo, porque ter uma escola e sociedade acessível não basta ter apenas rampas,
como a minha comadre cadeirante diz.
Falo de algo muito maior: princípios
morais e éticos, autonomia, inclusão de deficiência, não meramente
burocráticas ou físicas, mas sim reais, morais, humanizadas e concretas. Porque
não somos como gesso para sermos enquadrados numa forma, somos pessoas e todas
especiais em sua individualidade.
Devemos também como cidadãos e não apenas
como professores, aproveitar esse ano de eleição para dar um basta e fazer uma
renovação nas urnas, para termos aquilo que nos é legítimo: uma qualidade de
vida igual e justa para todos!
Parte B: escolha do blog
Ainda
costumo ter dificuldade e certa restrição em escrever, pois sou da área das
naturais e exatas e me saio melhor falando. Mas ao longo do curso, quando me
apego com afinco e me concentro, vejo que já melhorei muito nessa caminhada e
que vou melhorar ao longo do curso.
Costumo
escolher e fazer minhas postagens do blog das atividades que realizamos e as
quais mais gostei e me identifico e de publicações e postagens que leio e vejo
em páginas da internet relacionadas à área da educação.
Escolhi essa pela mensagem embutida nessa
colocação do pensador: Alvin Toffler, porque realmente acredito que aqueles que
não sabem ou não fazem a reconstrução de suas aprendizagens ao longo de sua
vida em nada aprenderam, apenas tem um conhecimento se si pode dizer assim,
mecânico, como um analfabeto funcional, que pode ser facilmente manipulado.
Sendo assim, mais uma vez cito aquela frase
de Paulo Freire, que tanto gosto, elucida e me guia sobre leitura de mundo:
“A leitura do mundo precede a leitura da
palavra!”
Considerações
Finais:
Após a apresentação do workshop do 6º semestre na semana anterior, pude
repensar e refazer algumas reflexões e considerações acerca das aprendizagens e
práticas do semestre, também pelas trocas que ocorreram durante a apresentação
e por solicitação da professora Rosane, especialmente sobre fundamentação e
argumentação teórica.
Creio ter compreendido a importância da fundamentação teórica aliada a
prática pedagógica, por não ser meramente reprodução de receitas prontas, como
por exemplo quando trabalhamos na alfabetização as sílabas e os fonemas,
estamos empregando a proposta da “Psicogênese da língua escrita”, de Emília
Ferrero e Ana Teberosky.
E esclarecer e tratar melhor que quando digo
que meu olhar mudou com o auxílio dos estudos da interdisciplinas, porque me fez
perceber o aluno, o seu aprender e o seu desenvolvimento com outra percepção e
sensibilidade. Isso auxilia no planejamento das atividades e metas
significativas a serem alcançadas pelos alunos, e também por nós professores.
Parei
para pensar mais sobre a diferença entre desenvolvimento, a aprendizagem e a
significação disso tudo, sendo assim fui pesquisar e ler mais sobre estes
conceitos. Além de reler os estudos de Piaget sobre desenvolvimento.
Segundo
Piaget, o ser humano se desenvolve pela necessidade. Não somos tábuas rasas,
nascemos com propensão de buscar a sobrevivência (instinto de vida) e evoluímos
pela interação com o meio (necessidade e adaptação). A maturação desse processo de desenvolvimento
se dá através de equilíbrios e desequilíbrios, passando por assimilações
(experiências e vivências) e finalmente pela acomodação que seria a
aprendizagem (de fato significativa através dessas interações).
“Piaget propôs método da observação para a educação da criança.
Daí a necessidade de uma pedagogia
experimental que colocasse claramente como a
criança organiza o real. Criticou a escola tradicional que ensinava a copiar e
não a pensar. Para obter bons resultados, o professor deveria respeitar as leis
e as etapas do desenvolvimento da criança. O objetivo da educação não deveria
ser repetir ou conservar verdades acabadas, mas aprender por si próprio a
conquista do verdadeiro.”
(GADOTI 2004, pg 146)
A
partir daí seguem os estágios de desenvolvimento estudados e citados por ele,
ressaltando que mesmo que faça uma média de idade no desenvolvimento infantil,
eles não são regras e nem estanques, pois cada indivíduo tem seu tempo e
especificidade. Já que só é aprendizagem aquilo que pode ser construído,
desconstruído e reformulado. A aprendizagem só é significativa se realmente,
houver aprendizagem de fato. Só para relembrar, resumidamente:
·
Sensório-motor
(0 – 2 anos): O bebê
relaciona tudo ao seu próprio corpo como se fosse o centro do mundo;
·
Pré-operatório (2 – 7 anos):
simbolismo, egocentrismo;
·
Operatório
Concreto (7 – 11 anos):
pensamento operatório, lógico, esquemas conceituais e senso moral e construção
de valores;
·
Operatório
Formal (12 anos em diante):
hipótese, dedução e reversibilidade.
As aprendizagens continuam ao longo de toda a nossa vida, como já diria o
professor Celso Antunes (neuroplasticidade), mas isso já é uma outra história
para um novo capítulo e workshop (vou colocar no blog). Taí, gostei do que escrevi!
Referências
Bibliográficas:
·
Pedagogia da autonomia
Freire, Paulo
Ed. Paz e Terra, 2000
·
PIAGET,
Jean. Epistemologia Genética. 4ª
ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.
·
GADOTI,
Moacir. História das Ideias Pedagógicas. 8ª
ed. Ática, 2004.
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