sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Oitavo semestre: minhas reflexões sobre o estágio


       Meu estágio, começou oficialmente no dia 03/10/18, bem na Semana da Matemática. Como eu trabalho com essa turma desde 10/05/18, tive bastante tempo para observá-los e fazer diversas atividades, comumente umas deram certo e outras não. Assim fomos nos adaptando, sendo que o meu maior desafio ao assumir essa turma foi promover neles o interesse pelos estudos, o respeito mútuo, e principalmente, ajudar para os dois alunos que não liam fluentemente fazê-lo isso até o final do ano letivo, pois estão se dirigindo ao quinto ano. Como passei por 4 anos na educação infantil, pude compreender a importância do brincar na aprendizagem e na interação. Aproveitando isso, resolvi usar dos jogos pedagógicos e matemáticos, para promover um melhor raciocínio lógico-matemático, socialização e interação, além de relacionar as situações problemas e regras do jogo ao cotidiano e a aprendizagem matemática. Além de utilizarmos os jogos convencionais da sala, o material dourado, usamos grãos, tampinhas e jogos trazidos de casa. Como já havíamos começado essa caminhada, antes do meu período de estágio, a Semana da Matemática foi para a construção de um jogo de dama simples, com pesquisa de suas regras para levar para casa e jogar com a família. Desta necessidade e proposta surgiu minha ideia para o TCC, ou seja, a aprendizagem e as relações acerca dos jogos matemáticos.
 A segunda semana de estágio pegou exatamente a Semana da Criança. Essa semana até a quarta-feira foi normal, entre revisões e o estudo de frações, usamos as pizzas e bolos do lanche coletivo de quarta para trabalharmos, desenharmos e entendermos frações, e eles gostaram muito dessa atividade, além de ser deliciosa. Após a contagem de frações através dos lanches, a maioria deles me comentou que achou aprender frações fácil, bem diferente do que as outras pessoas diziam. Minha proposta ao trabalhar assim, foi desmitificar o medo da matemática, algo que era tão frequente na minha época de escola nessa idade.
     Na quinta-feira, dia 11/10/18, não tivemos aula regular e sim fomos de ônibus a um espaço na cidade chamado Hangar, onde tinha brinquedos plásticos de ar, cama elástica, lanche, sorvete. Mini sinuca, vôlei e pintura de rosto. Nem todos foram, porque era pago separadamente: 25 reais, além disso eu tenho famílias que não deixam as crianças participar de passeios.     
A metade da turma que foi, nem todos gostaram, disseram que preferiam ter ido ao cinema ou até mesmo ter ficado na escola para uma aula convencional ou brincadeiras e festas na própria escola. Eu, particularmente achei cansativo e o local não cumpriu o prometido da propaganda. Até as próprias crianças observaram e comentaram isso. Sendo que fomos com as turmas de anos iniciais da tarde, juntas.
             Nessa terceira semana, começamos pela terça-feira, pelo dia do professor, realizamos revisões dos conteúdos em geral, dando ênfase no andamento do conteúdo de história e geografia, que mesmo sendo os livros super. alinhados, mesmo sendo livros não regionais, ter apenas uma hora aula semanal para ambas as disciplinas dificulta muito o trabalho.
Não sou muito fã do uso direto de livros didáticos, mas sim eles como mais um material de apoio, prefiro um planejamento mais livre, mais a minha cara e da turma, mas como é uma exigência da escola e dos pais, por ser particular, infelizmente tenho que trabalhar assim. Creio, que o uso direto de livro didático engessa o planejamento e a aprendizagem, dificulta caracterizar os estudos a leitura de mundo que precede a leitura da palavra, segundo Paulo Freire, ou seja, trabalhar a realidade da comunidade escolar para uma aprendizagem significativa na formação de um cidadão crítico para a sociedade. Não tinha comentado nada ainda sobre as aulas de artes, especificamente, mas como cidadã, professora e bióloga procuro trabalhar a reutilização de materiais, nessa semana usamos ponta de lápis para complementar desenhos. É uma característica minha, que adquiri ao trabalhar na educação infantil, a trabalhar desenhos e arte livre, sem modelos ou desenhos prontos, algo que na escola particular não é bem aceito, mas sigo fazendo aquilo que acredito, apesar da resistência de alguns.
     Ainda nessa semana, comemoramos o aniversário de 11 anos da escola, onde foi pedido que todas as turmas trabalhassem a história da nossa escola e estudassem a vida e a obra da poetisa Cecília Meireles.
     No sábado, dessa semana (20/10/18), tivemos o Dia da família, pois não teremos mais a partir desse ano comemoração separada para mães e pais, devido as novas configurações das famílias. Tivemos um dia no Havaí Pesque e pague, na zona rural de Eldorado do Sul, onde tinha espaços de churrasqueira, campo de futebol, piscinas, pescaria, brincadeiras, apresentações, paintball e venda de galeto. Foi um dia lindo, agradável, ensolarado, inesquecível. Pretendemos fazer esse mesmo evento nesse local em 2019, pois as famílias amaram e acreditamos que tenhamos uma participação ainda maior em 2019. Este evento, com certeza atingiu o objetivo propostos.
Nessa quarta semana, temos o início dos preparativos do Halloween, porém estamos na Semana da Arte & Cultura, e na sexta no dia da pintura de tela, recebemos a primeira visita da professora Tânia. Foi uma semana bem tranquila, com as atividades dentro da normalidade, digo pelas características da turma. Acho que a senhora professora Tânia, pode perceber durante a sua observação na aula de arte com pintura livre, que nós temos uma rotina e combinados, para uma melhor dinâmica e organização, devido ao nosso espaço limitado na sala.
    Tanto eu, como as crianças estávamos ansiosos nesse dia. Eu devido a sua visita, pois não era observada desde o magistério, e as crianças ansiosas pelo trabalho da pintura em tela, que como a senhora pode ver fluiu lindamente e ficou lindo. Fiquei muito satisfeita com o resultado, e eles queriam pintar telas todas as semanas, desde então.
     Além disso, no sábado tivemos o Túnel do terror, a boate do terror, entre outras, onde a escola estava toda decorada para tal. Esse ano, o tema da decoração foi terror em Chernobyl. Eu participei apenas na decoração e na boate, depois de pronto não entrei no túnel (porque não teria condições, morro de medo, sou muito assustada e as crianças acham graça disso em mim), que estava distribuído pelos 2 andares superiores da escola. O ingresso por pessoa era de 10 reais e era aberto a toda a comunidade da cidade, não somente da escola.
            Nessa 5ª semana fizemos revisões das disciplinas e conteúdos en geral, e como terminamos o livro de ciências na semana anterior, pudemos estudar sobre os demais seres vivos que não estavam no livro, como o grupo importante dos animais, o qual fazemos parte.
     A medida que o fim do ano letivo se aproxima, estamos finalizando os conteúdos e atividades dos livros didáticos, o que me é exigido pela equipe diretiva e pelos pais, agora me causando até um certo alívio. Assim, posso trabalhar outros conteúdos e temas de forma mais livre e integrada, e mais de acordo com o interesse dos alunos e suas necessidades, o que eu prefiro, pois me possibilita um planejamento mais livre, menos engessado. Não que eu seja totalmente contra o uso do livro didático, muitas vezes ele se faz necessário como ponto de apoio, principalmente para aqueles alunos que ainda não tem acesso à internet. Mesmo sendo uma escola particular, algumas crianças não tem esse acesso à tecnologia, por incrível que pareça. Quanto ao planejamento com o uso do livro didático, até durante o semestre de 2018/01 em que estudamos didáticos compartilhei essa minha angústia e dúvida com o professor de didática Johann, que me indicou tentar planejar e trabalhar o mais livre possível dentro das disciplinas em que me é permitido, como: artes, literatura e educação social.
E aos poucos no final dos conteúdos dos livros fazer o mesmo, e creio que conseguimos com sucesso. Pois, foi a primeira vez que essa turma concluiu os conteúdos dos livros, claro que isso não significa aprendizagem, como bem me citou o vice diretor Leonil. Quando ele me fez essa colocação, disse que ele poderia fazer uma avaliação com eles, e por fim após a semana de provas observamos que no geral eles foram muito bem.  
             Nessa 6ª semana demos continuidade a enfatizar assuntos que tenham a ver com o cotidiano. Como saiu muito na mídia sobre a polêmica das vacinas, pesquisamos um pouco mais sobre os micro-organismos, a importância da vacinação, da higiene para a manutenção de uma boa saúde. Além, das nossas conversas sobre alimentação e atividade física.
Também voltamos a trabalhar a localização nos mapas em geral, pois muitos se confundiam onde ficava Eldorado, perante Guaíba, Porto Alegre, no RS, no Brasil e no mapa mundi. Um aluno chamado Diego, até me disse para que mapas se temos GPS?
     Aí eu respondi e se um dia ti estiver, sem GPS, sem celular, sem internet, sem energia como tu faz? Eles refletiram e acabaram me entendendo e dando razão, que não devemos ser reféns da tecnologia. Ela é útil e importante, mas falha.
     Percebi que essa turma vem mudando positivamente a sua postura, sendo mais críticos, respeitando a vez dos colegas falarem, brigando menos, o que me faz muito alegre e satisfeita. Pois esse é o nosso papel como professores, educadores, promover futuros cidadãos críticos, cultos, sociáveis, gentis e educados, independente de nível social. Ver a turma se acalmando ao longo do tempo me enche de orgulho. A aprendizagem cognitiva é importante, mas a aprendizagem ou construção de uma inteligência emocional, humana e social é impagável. E é pra isso que eu trabalho, é pra isso que eu vivo.
            Essa sétima semana foi uma semana curta, de apenas 3 dias letivos. Usamos essas datas para realizarmos as revisões e fechamentos para a próxima semana de provas. Aproveitamos também o fato de termos terminado o livro de ciências, para realizarmos a experiência da produção de iogurte no laboratório (Lactobacilos/bactérias). Quando fomos provar no outro dia, a maioria fez uma cara feia e não quis provar, fiquei triste e decepcionada.  Como costumo observar, as crianças da escola, não só os meus alunos se alimentam muito mal, de muitos produtos industrializados, refrigerantes. Para eles, iogurte mesmo é aquele do supermercado. Ainda usamos o livro de caligrafia, que particularmente eu detesto, mas tenho que usar forçadamente e infelizmente.
Ao menos no próximo ano letivo de 2019, como eu continuarei com os mesmos alunos no quinto ano (algo que facilitará meu TCC, creio), teremos apenas um livro didático integrado, o que vai me possibilitar um planejamento mais livre e significativo.
              Essa oitava semana foi muito entediante, porque é a semana de provas de toda a escola. Se já somos engessados pelos livros didáticos, durante a semana de provas somos muito mais. Na sexta, na aula de artes realizamos a pintura das bolas de natal em CD. Não tenho muitos comentários para essa semana, porém posso dizer que fiquei muito satisfeita e orgulhosa com o resultado das avaliações e construções feitas pelos alunos.
     O que teve de legal nessa semana foi a aula de literatura e educação social, sobre a: "Semana da Consciência Negra", com a segunda visita da professora Tânia que pode observar e participar conosco da leitura, vídeos e debates sobre o tema.
            Nessa nona semana, na segunda terminamos as provas com a de ciências. Após isso, demos continuidade a conclusão dos conteúdos de história e geografia, revisões para os 2 alunos em recuperação (português, história e literatura), que ficaram em recuperação por não entregar trabalhos e pesquisas de casa, e não pela prova em si.
     Trouxe um texto da Ruth Rocha: "Marcelo, marmelo, martelo.", que eles gostaram muito, acharam engraçado e debateram bastante. Com o tempo mais livre, podemos jogar mais os jogos da sala, manipular massinha, atividades de integração, que os acalmam bastante. Além disso, temos o cesto de livros para leitura e folhas avulsas de reuso para desenhos livres.
            Essa é a última semana de estágio, e a penúltima do ano letivo. Nessa semana, ainda todos os alunos devem comparecer as aulas, já na outra semana somente os 4 alunos do reforço. Na sexta, dia 07/12/18, realizamos nosso lanche coletivo oficial, com a presença da maioria dos alunos. 
     Propus uma semana mais lúdica, menos tensa e pesada, com mais jogos, vídeos, um filme com pipoca. Mas o melhor de tudo, ao longo dessa caminhada é ver o entrosamento e o respeito mútuo entre eles e o aprendizado na vida real deles, daquilo que estudamos.
     Felicidade minha foi ver os meus 2 alunos que não liam lendo, sendo independentes de mim, foi a isso que me propus. Por isso, também fui pro ICS fazer aquele curso de recursos didáticos para a alfabetização e outros. E não pretendo parar, porque aprender me motiva a viver e ser feliz.

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