Meu estágio,
começou oficialmente no dia 03/10/18, bem na Semana da Matemática. Como eu
trabalho com essa turma desde 10/05/18, tive bastante tempo para observá-los e
fazer diversas atividades, comumente umas deram certo e outras não. Assim fomos
nos adaptando, sendo que o meu maior desafio ao assumir essa turma foi
promover neles o interesse pelos estudos, o respeito mútuo, e principalmente, ajudar
para os dois alunos que não liam fluentemente fazê-lo isso até o final do ano
letivo, pois estão se dirigindo ao quinto ano. Como passei por 4 anos na
educação infantil, pude compreender a importância do brincar na aprendizagem e
na interação. Aproveitando isso, resolvi usar dos jogos pedagógicos e
matemáticos, para promover um melhor raciocínio lógico-matemático, socialização
e interação, além de relacionar as situações problemas e regras do jogo ao
cotidiano e a aprendizagem matemática. Além de utilizarmos os jogos
convencionais da sala, o material dourado, usamos grãos, tampinhas e jogos
trazidos de casa. Como já havíamos começado essa caminhada, antes do meu
período de estágio, a Semana da Matemática foi para a construção de um jogo de
dama simples, com pesquisa de suas regras para levar para casa e jogar com a
família. Desta necessidade e proposta surgiu minha ideia para o TCC, ou seja, a
aprendizagem e as relações acerca dos jogos matemáticos.
A segunda semana de
estágio pegou exatamente a Semana da Criança. Essa semana até a quarta-feira
foi normal, entre revisões e o estudo de frações, usamos as pizzas e bolos
do lanche coletivo de quarta para trabalharmos, desenharmos e entendermos
frações, e eles gostaram muito dessa atividade, além de ser deliciosa. Após a
contagem de frações através dos lanches, a maioria deles me comentou que achou
aprender frações fácil, bem diferente do que as outras pessoas diziam. Minha
proposta ao trabalhar assim, foi desmitificar o medo da matemática, algo que
era tão frequente na minha época de escola nessa idade.
Na quinta-feira, dia 11/10/18, não tivemos
aula regular e sim fomos de ônibus a um espaço na cidade chamado Hangar, onde
tinha brinquedos plásticos de ar, cama elástica, lanche, sorvete. Mini sinuca,
vôlei e pintura de rosto. Nem todos foram, porque era pago separadamente: 25
reais, além disso eu tenho famílias que não deixam as crianças participar de
passeios.
A metade da turma que foi,
nem todos gostaram, disseram que preferiam ter ido ao cinema ou até mesmo ter
ficado na escola para uma aula convencional ou brincadeiras e festas na própria
escola. Eu, particularmente achei cansativo e o local não cumpriu o prometido
da propaganda. Até as próprias crianças observaram e comentaram isso. Sendo que
fomos com as turmas de anos iniciais da tarde, juntas.
Nessa terceira semana,
começamos pela terça-feira, pelo dia do professor, realizamos revisões dos
conteúdos em geral, dando ênfase no andamento do conteúdo de história e
geografia, que mesmo sendo os livros super. alinhados, mesmo sendo livros não
regionais, ter apenas uma hora aula semanal para ambas as disciplinas dificulta
muito o trabalho.
Não sou muito fã do uso
direto de livros didáticos, mas sim eles como mais um material de apoio,
prefiro um planejamento mais livre, mais a minha cara e da turma, mas como é
uma exigência da escola e dos pais, por ser particular, infelizmente tenho que
trabalhar assim. Creio, que o uso direto de livro didático engessa o
planejamento e a aprendizagem, dificulta caracterizar os estudos a leitura de
mundo que precede a leitura da palavra, segundo Paulo Freire, ou seja,
trabalhar a realidade da comunidade escolar para uma aprendizagem significativa
na formação de um cidadão crítico para a sociedade. Não tinha comentado nada ainda
sobre as aulas de artes, especificamente, mas como cidadã, professora e bióloga
procuro trabalhar a reutilização de materiais, nessa semana usamos ponta de
lápis para complementar desenhos. É uma característica minha, que adquiri ao trabalhar
na educação infantil, a trabalhar desenhos e arte livre, sem modelos ou desenhos
prontos, algo que na escola particular não é bem aceito, mas sigo fazendo
aquilo que acredito, apesar da resistência de alguns.
Ainda nessa semana, comemoramos o aniversário
de 11 anos da escola, onde foi pedido que todas as turmas trabalhassem a
história da nossa escola e estudassem a vida e a obra da poetisa Cecília
Meireles.
No sábado, dessa semana (20/10/18), tivemos o
Dia da família, pois não teremos mais a partir desse ano comemoração separada
para mães e pais, devido as novas configurações das famílias. Tivemos um dia no
Havaí Pesque e pague, na zona rural de Eldorado do Sul, onde tinha espaços de
churrasqueira, campo de futebol, piscinas, pescaria, brincadeiras, apresentações,
paintball e venda de galeto. Foi um dia lindo, agradável, ensolarado,
inesquecível. Pretendemos fazer esse mesmo evento nesse local em 2019, pois as
famílias amaram e acreditamos que tenhamos uma participação ainda maior em
2019. Este evento, com certeza atingiu o objetivo propostos.
Nessa quarta semana, temos
o início dos preparativos do Halloween, porém estamos na Semana da Arte &
Cultura, e na sexta no dia da pintura de tela, recebemos a primeira visita da
professora Tânia. Foi uma semana bem tranquila, com as atividades dentro da
normalidade, digo pelas características da turma. Acho que a senhora professora
Tânia, pode perceber durante a sua observação na aula de arte com pintura
livre, que nós temos uma rotina e combinados, para uma melhor dinâmica e
organização, devido ao nosso espaço limitado na sala.
Tanto eu, como as crianças estávamos ansiosos nesse
dia. Eu devido a sua visita, pois não era observada desde o magistério, e as
crianças ansiosas pelo trabalho da pintura em tela, que como a senhora pode ver
fluiu lindamente e ficou lindo. Fiquei muito satisfeita com o resultado, e eles
queriam pintar telas todas as semanas, desde então.
Além disso, no sábado tivemos o Túnel do
terror, a boate do terror, entre outras, onde a escola estava toda decorada
para tal. Esse ano, o tema da decoração foi terror em Chernobyl. Eu participei
apenas na decoração e na boate, depois de pronto não entrei no túnel (porque
não teria condições, morro de medo, sou muito assustada e as crianças acham
graça disso em mim), que estava distribuído pelos 2 andares superiores da
escola. O ingresso por pessoa era de 10 reais e era aberto a toda a comunidade
da cidade, não somente da escola.
Nessa 5ª semana
fizemos revisões das disciplinas e conteúdos en geral, e como terminamos o
livro de ciências na semana anterior, pudemos estudar sobre os demais seres
vivos que não estavam no livro, como o grupo importante dos animais, o qual
fazemos parte.
A medida que o fim do ano letivo se aproxima,
estamos finalizando os conteúdos e atividades dos livros didáticos, o que me é
exigido pela equipe diretiva e pelos pais, agora me causando até um certo
alívio. Assim, posso trabalhar outros conteúdos e temas de forma mais livre e
integrada, e mais de acordo com o interesse dos alunos e suas necessidades, o
que eu prefiro, pois me possibilita um planejamento mais livre, menos
engessado. Não que eu seja totalmente contra o uso do livro didático, muitas
vezes ele se faz necessário como ponto de apoio, principalmente para aqueles alunos
que ainda não tem acesso à internet. Mesmo sendo uma escola particular, algumas
crianças não tem esse acesso à tecnologia, por incrível que pareça. Quanto ao
planejamento com o uso do livro didático, até durante o semestre de 2018/01 em
que estudamos didáticos compartilhei essa minha angústia e dúvida com o
professor de didática Johann, que me indicou tentar planejar e trabalhar o mais
livre possível dentro das disciplinas em que me é permitido, como: artes,
literatura e educação social.
E aos poucos no final dos
conteúdos dos livros fazer o mesmo, e creio que conseguimos com sucesso. Pois,
foi a primeira vez que essa turma concluiu os conteúdos dos livros, claro que
isso não significa aprendizagem, como bem me citou o vice diretor Leonil. Quando
ele me fez essa colocação, disse que ele poderia fazer uma avaliação com eles,
e por fim após a semana de provas observamos que no geral eles foram muito
bem.
Nessa 6ª
semana demos continuidade a enfatizar assuntos que tenham a ver com o
cotidiano. Como saiu muito na mídia sobre a polêmica das vacinas, pesquisamos
um pouco mais sobre os micro-organismos, a importância da vacinação, da higiene
para a manutenção de uma boa saúde. Além, das nossas conversas sobre
alimentação e atividade física.
Também voltamos a trabalhar a localização nos mapas em geral, pois
muitos se confundiam onde ficava Eldorado, perante Guaíba, Porto Alegre, no RS,
no Brasil e no mapa mundi. Um aluno chamado Diego, até me disse para que mapas
se temos GPS?
Aí eu respondi e se um dia ti estiver, sem
GPS, sem celular, sem internet, sem energia como tu faz? Eles refletiram e
acabaram me entendendo e dando razão, que não devemos ser reféns da tecnologia.
Ela é útil e importante, mas falha.
Percebi que essa turma vem mudando
positivamente a sua postura, sendo mais críticos, respeitando a vez dos colegas
falarem, brigando menos, o que me faz muito alegre e satisfeita. Pois esse é o
nosso papel como professores, educadores, promover futuros cidadãos críticos,
cultos, sociáveis, gentis e educados, independente de nível social. Ver a turma
se acalmando ao longo do tempo me enche de orgulho. A aprendizagem cognitiva é
importante, mas a aprendizagem ou construção de uma inteligência emocional,
humana e social é impagável. E é pra isso que eu trabalho, é pra isso que eu
vivo.
Essa sétima
semana foi uma semana curta, de apenas 3 dias letivos. Usamos essas datas para
realizarmos as revisões e fechamentos para a próxima semana de provas. Aproveitamos também
o fato de termos terminado o livro de ciências, para realizarmos a experiência
da produção de iogurte no laboratório (Lactobacilos/bactérias). Quando fomos
provar no outro dia, a maioria fez uma cara feia e não quis provar, fiquei
triste e decepcionada. Como costumo observar, as crianças da escola,
não só os meus alunos se alimentam muito mal, de muitos produtos
industrializados, refrigerantes. Para eles, iogurte mesmo é aquele do
supermercado. Ainda usamos o livro de caligrafia, que particularmente eu
detesto, mas tenho que usar forçadamente e infelizmente.
Ao menos no próximo ano
letivo de 2019, como eu continuarei com os mesmos alunos no quinto ano (algo
que facilitará meu TCC, creio), teremos apenas um livro didático integrado, o
que vai me possibilitar um planejamento mais livre e significativo.
Essa
oitava semana foi muito entediante, porque é a semana de provas de toda a
escola. Se já somos engessados pelos livros didáticos, durante a semana de
provas somos muito mais. Na sexta, na aula de artes realizamos a pintura das bolas
de natal em CD. Não tenho muitos comentários para essa semana, porém posso
dizer que fiquei muito satisfeita e orgulhosa com o resultado das avaliações e
construções feitas pelos alunos.
O que teve de legal nessa semana foi a aula de
literatura e educação social, sobre a: "Semana da Consciência Negra",
com a segunda visita da professora Tânia que pode observar e participar conosco
da leitura, vídeos e debates sobre o tema.
Nessa nona
semana, na segunda terminamos as provas com a de ciências. Após isso, demos
continuidade a conclusão dos conteúdos de história e geografia, revisões para
os 2 alunos em recuperação (português, história e literatura), que ficaram em
recuperação por não entregar trabalhos e pesquisas de casa, e não pela prova em
si.
Trouxe um texto da Ruth Rocha: "Marcelo,
marmelo, martelo.", que eles gostaram muito, acharam engraçado e
debateram bastante. Com o tempo mais livre, podemos jogar mais os jogos da
sala, manipular massinha, atividades de integração, que os acalmam bastante.
Além disso, temos o cesto de livros para leitura e folhas avulsas de reuso
para desenhos livres.
Essa é a última
semana de estágio, e a penúltima do ano letivo. Nessa semana, ainda todos os
alunos devem comparecer as aulas, já na outra semana somente os 4 alunos do
reforço. Na sexta, dia 07/12/18, realizamos nosso lanche coletivo oficial,
com a presença da maioria dos alunos.
Propus uma semana mais lúdica, menos tensa e
pesada, com mais jogos, vídeos, um filme com pipoca. Mas o melhor de tudo,
ao longo dessa caminhada é ver o entrosamento e o respeito mútuo entre eles e o
aprendizado na vida real deles, daquilo que estudamos.
Felicidade minha foi ver os meus 2 alunos que
não liam lendo, sendo independentes de mim, foi a isso que me propus. Por isso,
também fui pro ICS fazer aquele curso de recursos didáticos para a
alfabetização e outros. E não pretendo parar, porque aprender me motiva a viver
e ser feliz.
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