terça-feira, 31 de julho de 2018

As quatro propostas


Como é essa escola? 

"Decidi e escolhi postar este trabalho, porque a história contada nele me lembra em muito uma reunião de professores, um conselho de classe e/ou até mesmo as conversas do cotidiano de uma sala de professores. Como me lembra o ex professor Diogo Almeida que faz atualmente stand up."
         

Na situação da escola proposta na cena para o referido trabalho, temos diferentes tipos de professores em relação às propostas de trabalho, assim como também temos na realidade da nossa escola. Já na primeira lida da cena, identifiquei características das linhas pedagógicas estudadas ao longo do curso e relembradas no resumo de estudos para hoje. No contexto da sala de professores dessa escola junto a equipe diretiva para discutir as dificuldades dos alunos e os índices oficiais de avaliação vários se manifestam:
1. A primeira professora: Orquídea salienta em sua fala que elabora excelentes aulas, faz boas exposições e considera que esses alunos de hoje em dia não querem estudar. A minha primeira impressão e relação com os textos estudados é que esse encaixa com: “A maquinaria escolar”. Pois trata da aula expositiva, método tradicional, pedagogia diretiva que tem o professor como o centro do saber e das aprendizagens. Vejo pontos em comum da fala da professora Orquídea com a do professor Cravo e do diretor Antúrio.
2. A segunda professora: Margarida relata que opta por trabalhar com desafios, acha que os alunos aprendem mais. Ela trabalha de uma forma nem tão dependente que se encaixaria mais na pedagogia não-diretiva, em que a aprendizagem não depende diretamente do professor. Ela diz que enquanto os alunos trabalham nos grupos passa esclarecendo dúvidas, fazendo questionamentos e no fechamento apresentam as idéias e propõem soluções ao que foi trabalhado. Tende a mesclar a metodologia da escola democrática aliada ao construtivismo. Creio eu, que ela está no caminho por que tem segurança, objetivo e interesse, não receia o novo tem coragem! Esses ambientes ou espaços de ensino colocam os jovens estudantes e as suas vozes como os atores centrais do processo educacional, em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos, professores são pedagogos e facilitadores que participam do processo educacional auxiliando nas atividades de acordo com os interesses dos estudantes que as escolheram. Já quanto a relação da fala e prática dessa professora aliada a Escola Democrática temos o Construtivismo; é uma tese epistemológica que defende o papel ativo do sujeito na criação e modificação de suas representações do objeto do conhecimento. O termo começou a ser utilizado na obra de Piaget e desde então vem sendo apropriado por abordagens com as mais diversas posições ontológicas e mesmo epistemológicas. Caracteriza-se de forma negativa pela rejeição ao objetivismo pois defende que o objeto não determina completamente em um sujeito supostamente passivo as representações que este tem dele. Aliada também a essas práticas temos também o empirismo: O empirismo é caracterizado pelo conhecimento científico, quando a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das ideias, por onde se percebem as coisas, independente de seus objetivos ou significados. O empirismo consiste em uma teoria epistemológica que indica que todo o conhecimento é um fruto da experiência, e por isso, uma consequência dos sentidos. A experiência estabelece o valor, a origem e os limites do conhecimento. Práticas essas muito semelhantes citadas pela professora Margarida e também por mim.
3. A terceira professora: Rosa diz que considera que o professor deve escutar seus alunos, saber suas dificuldades e interesses. Eles definem o que vai ser trabalhado em aula, eu nem me meto (o que é estranho, triste e desinteressante). Pode parecer bagunça, mas as crianças precisam de liberdade de expressão. A meu ver tende a ser uma metodologia de educação libertária e/ou popular meio perdida na proposta construtivista sem um por que algum ou objetivos definidos. Parece que com esse tipo de trabalho quer demonstrar ser a professora boazinha ou moderninha. Essa situação lembra o início dos anos 90 quando o construtivismo chegou ao Brasil e como às idéias de Paulo Freire, não se sabia muito bem o que fazer e foram apenas fazendo. Diferentemente de hoje, em que fomos estudando, discutindo e testando as possibilidades e metodologias que mais se encaixam em nossa realidade escolar.
4. O quarto professor: Cravo diz que tem uma grande diferença do planejamento da escola pública para a particular (situação em que me encontro na atualidade), infelizmente a maioria das escolas particulares engessa o trabalho do professor, e eu estou tendo que recuar e me readaptar, o que me frustra grandemente. Relata que se aplicar a proposta da particular na pública nenhum aluno será aprovado. Na verdade, parece que não está preocupado com a aprendizagem doa seus alunos, apenas com os índices de aprovação e a lista de conteúdos cumprida. Esse tipo de professor ainda é muito comum, como a professora Rosa. Um age melhor na escola particular porque é mais bem pago e exigido por isso, já a outra procura colocar novidades na sua práxis pedagógica sem entendê-las muito bem, anda com o embalo da carruagem, atua sem saber por que, apenas por que tem que mostrar serviço. Temos muito professores, que ainda agem assim apenas “dão aula”, por que recebem no fim do mês, sem mais esforços, considerando o magistério algo menor ou mais fácil (até parece que é verdade).
5. O Diretor Antúrio: salienta que está preocupado com a disciplina na escola e com os índices de aprovação. Diz que: “o professor precisa ter o controle da turma, ele fala os alunos atendem. A escola sempre existiu e para as novas gerações o que se espera dela é que os conteúdos sejam dominados e os alunos disciplinados. Esse diretor age ainda como na época descrita no texto da maquinaria escolar, em que a escola serviria apenas para a produção em massa de trabalhadores braçais não preparados para questionar o sistema. Muitas equipes diretivas, escolas e professores ainda agem dessa forma, teoricamente, por dar menos trabalho e por atender aos interesses dos empresários e políticos mesmo nos tempos de hoje.
Ao que se contrapõe que foi escrito no texto da Maquinaria escolar, pois a escola que temos hoje foi criada em média há um século. A escola foi criada com o intuito de formar a socialização de crianças de classes populares. O Cônego Giginta, numa perspectiva de aplicação de teorias de Vivis, afirma que além de adestrar aos meninos pobres para um ofício e para ler, escrever e fazer contas. É claro com a intervenção da igreja, como o exemplo do RS. Já nas universidades há uma diferença, porque lá estudam os filhos da burguesia e o pensar e a criticidade seriam o foco, como assinala Durkhlein. Isso acontecia e ainda acontece devido aos interesses políticos e dos mais poderosos.

“Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitisse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”(Paulo Freire, 1992).

Como temos uma sintonia e interligação nas colocações dos três professores: Orquídea, Margarida e o Diretor Antúrio, amos lembram a escola tradicional a práxis da pedagogia diretiva da maquinaria escolar do século passado ainda vistas, em muito, na atualidade. Mesmo ainda à moda antiga estes profissionais sabem o que estão fazendo e estão seguros desse caminho.
Na fala da professora Margarida encontramos a pedagogia não- diretiva, em que o professor não é o centro e sim o orientador da aprendizagem. Essa professora está mais segura de sua prática metodológica e acredita que essa proposta agrada e incentiva os seus alunos (e eu concordo com ela). O que se relaciona com uma tentativa de empirismo na sua prática pedagógica.
Já a professora Rosa me parece confusa, insegura, perdida e desconectada com a aprendizagem real e significativa de seus alunos. Ela está ali porque esta apenas. Tenta aplicar o Construtivismo sem sabem exatamente como e por que. Acredita que se orientar seus alunos estará descaracterizando o construtivismo e desagradando os educandos. Ela tenta implantar a proposta de uma escola democrática sem saber exatamente como e sem objetividade.

Referências bibliográficas:

BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.


MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1). Disponível em: <https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/o-construtivismo-e-sua-funcao-educacional/>. Acesso em: 10 abr. 2018.


TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.


VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>. Acesso em: 10 abr. 2018.



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