terça-feira, 31 de julho de 2018

Mini dicionário de Paulo Freire


Neste semestre os trabalhos das disciplinas de EJA & Linguagem, ambas ministradas pela professora Aline, fizeram toda a diferença. Mais uma vez, as disciplinas e conteúdos ministrados por ela se encaixaram em cheio na nossa vida, gosto e prática pedagógica. Parabéns e gratidão professora Aline!

Educação Bancária e Educação Problematizadora
Educação bancária é o processo educativo no qual visava à submissão para um determinado tipo de comportamento no qual o sujeito era tido como fora de sua realidade de um sujeito acabado sem qualquer perspectiva de visão crítica no âmbito escolar. A educação bancária tinha como objetivo indivíduo passivo das suas atitudes
Para Freire “A educão bancária, nesse sentido, repercute como um anestésico, que inibe o poder de criar próprio dos educandos, camuflando qualquer possibilidade de refletir acerca das contradições e dos conflitos emergentes do cotidiano em que se insere a escola, o aluno”.
Já a problematização tem por vias a inserção da criticidade e problematização das coisas tornando o sujeito apto para o meio social no qual convive. É onde ele tem o conhecimento da realidade com boas práticas de política e diálogo, somente através dessas práticas irá ser capaz de fazer críticas. Para Freire (1996, p. 28), a educação problematizadora consiste na "força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeita".
É importante ressaltar que a educação bancária é um retrocesso no ensino e o professor deve repensar suas práticas pedagógicas. O docente deve procurar novas práticas de ensino possibilitando assim o ensino-aprendizagem dos seus alunos através do diálogo para futuros cidadãos críticos e autocríticos.

Diálogo e Dialogicidade
Com palavras de Freire “o diálogo implica uma práxis social, que é o compromisso entre a palavra dita e nossa ação humanizadora. Essa possibilidade abre caminhos para repensar a vida em sociedade, discutir sobre nosso ethos cultural, sobre nossa educação, a linguagem que praticamos e a possibilidade de agirmos de outro modo de ser, que transforme o mundo que nos cerca”. Então cabe elucidar que o diálogo é um ato humano no qual não é somente usando para obter algo ou algum resultado. É através do diálogo que conseguimos ter uma fala com os alunos justa e igualitária para todos, Freire usa as seguintes palavras para o diálogo “Educação Libertadora” com novos saberes. Com isso, nasce a dialogicidade que são os processos metodológicos para o ensino aprendizagem do indivíduo.

Emponderamento
Os autores Freire e Shor (1986), já no início alertam para os equívocos com a palavra e ao que seu significado pode conduzir. Empoderamento nesse caso, não se refere a dar poder a alguém, mas sim a se ter autonomia e independência na individualidade. E se ter o poder de se colocar perante aos demais com sua personalidade, respeitando o próximo e a sua comunidade. O Empoderamento não é egoísta, e sim pelo bem comum. É impossível ser livre, se não se tem consciência da realidade. E isso vai muito além dos muros da escola. A educação tornou-se multicultural e ecológica, e estendeu-se para a cidade e o planeta.
Num encontro em Genebra, Paulo Freire com o filósofo Ilan Illich em 1974, debateram as críticas da escola tradicional e a burocratização da instituição escolar frente à libertação coletiva e o redescobrimento da autonomia criadora. O filósofo Illich não encontra futuro e otimismo na escola, já em Freire sim. A escola pode mudar e ser mudada, de forma política e pedagógica.

Ler e Leitura
O ato de ler é evidenciado na leitura de mundo nos rações políticas, pois não basta somente ler um texto deve-se compreendê-lo criticamente. Isso tem relação direta com a leitura de mundo. Vinculado a alfabetização de adultos. Na obra Pedagogia do Oprimido, escrita no exílio no Chile, em 1967 dedica-se em especial a leitura do processo de alfabetização, em especial ao de adultos.
Trata-se da importância do ato de ler, em que o autor explicita a sua compreensão crítica e suas relações com a leitura da palavra, do mundo e da alfabetização de adultos. A importância do ato de ler por Freire, dar-se-á também por uma leitura e posicionamento político. Quando ele denomina “palavramundo” (Freire, 2001, p.12), contudo não se refere a um mundo vasto e distante, mas sim dos seus arredores, do seu chão e dos seus valores. Exemplo em que ele conta da sua própria alfabetização em 1920: “Minha alfabetização não me foi nada enfadonha, porque partiu de palavras e frases ligadas a minha experiência, escritas com gravetos no chão do quintal.” (Gadotti, 1996, p.31).
Assim Freire, desenvolveu a alfabetização por temas geradores, que serviu de inspiração a Brandão (2001) a escrever o livro: “História do menino que lia o mundo.”.

Leitura do Mundo
A leitura de mund precede a leitura da palavra. Do que adianta decifrarmos e decorarmos códigos se isso não ter significado e relação com a nossa vida, cotidiano ou meio. A leitura de mundo e da palavra é, em Freire, direito subjetivo, pois dominando os signos e sentidos, nos humanizamos, acessando mediações de poder e cidadania.
No livro a Pedagogia do Oprimido vê se que ninguém lê o mundo isolado. Os oprimidos, em comunhão, asseguram-se para não se deixarem ser transformados em coisas.             Ler a palavra é lê-la como corpo consciente molhado por uma história vivida num experimentado real de mundo. Não podemos nos acomodar e aceitar as ideologias, como um “prato-feito” por nossos opressores.
Se nossa humanização depende da leitura do mundo, essa humanização da palavra só se completará na luta da classe trabalhadora, sem fatalismos. Há um papel pedagógico e político nesse processo. O pedagógico é aprender a ler o seu mundo, nele e com ele; já o político consiste em fazer escolhas e saber posicionar-se.

Alfabetização
A alfabetização é um ato de amor não é algo mecanizado da memorização, provem do meio no qual o aluno esta inserido, pois é a partir deste contexto que se consegue ter o diálogo. Para que se tenha esse diálogo boas práticas educativas devem ser norteadoras.
Ensinar não é transmitir, mas estabelecer condições para sua construção, sendo que quanto mais crítico for este processo (ensinar e aprender) tanto mais se amplia a vontade de saber, a curiosidade epistemológica diante dos desafios que o mundo apresenta. (Borges. Pág. 34. S-D).
Então a leitura de mundo deve ser valorizada desta forma a práxis será transformada e compreendida na alfabetização do educando. As situações corriqueiras deles devem fazer parte central dos ensinamentos, assim aprenderam brincando com o seu cotidiano.

 Componentes: Débora Costa de Borba Silva & Luciane Scherer


Referências
Verbetes do Dicionário Paulo Freire. STRECK, Danilo R; REDIN, Euclides Redin, ZITKOSKI, Jaime José. Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica Editora. 2016. 3a edição

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