sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Tchau sétimo semestre, bem- vindo oitavo!

Pedagogia: a arte de se aprender em conjunto!


E o estágio?

   Como será estagiar depois de tanto tempo de sala de aula? Qual será as expectativas? E a ansiedade?
   Lembro-me da fala da professora Rosane Aragon, na aula passada de 22/08/18: 
   " Não precisa fazer uma atividade mirabolante em dia de visita do orientador, vai que vocês se enrolam? Esse não é o objetivo.
    Porque aula vocês já dão, planejamento vocês já fazem. 
    Mas a ansiedade vem, não tem jeito e é preciso controlar. Colocar os dados do estágio no papel, no pbworks e por aqui também. Guardar tudo com cuidado e carinho para a escrita do TCC que já nasce junto com esse estágio.
    E o meu estágio ou prática como se diz, já é na minha turma, escola e trabalho. Também como foi na primeira graduação. Mas o desafio da escrita continua, hoje com menos medo de escrever e perguntar, sem compromisso de acertar de primeira. Reconstruir é aprender sempre!

O porquê da postagens de alguns trabalhos do sétimo semestre?!

    Neste semestre, postei mais atividades de estudo no blog, porque gostei das atividades, senti muita relação dessas com a minha prática pedagógica, gosto e reflexão pessoal. Creio ter visto minha prática nas atividades estudadas e essas atividades na minha práxis e construção do aluno. Vim parar na pedagogia, por estar trabalhando com os pequenos desde 2012, mesmo lecionando deste 1992. Consegui ampliar o meu olhar sobre as construções dos alunos, mesmo que ainda pequenas, até mesmo que na maioria desse meu tempo de docência eu tenha despertado esse olhar. Pude buscar e conhecer novas alternativas de ensino e auxílio aos alunos e suas famílias. Como em 2013 fui trabalhar na educação infantil, e pude constatar que através do brincar e do jogo, até mesmo independente da idade, podendo ser tais técnicas usadas com alunos maiores. Por isso uso o jogo atualmente como forma da construção da aprendizagem. É só acessar a página da minha escola no Facebook: Centro de Educação e Cultura Cecília Meireles, em Eldorado do Sul (escola em que farei meu estágio).

O novo modelo de workshop.


    Neste último semestre somente com disciplinas, antes do estágio e TCC fizemos uma avaliação diferenciada que foi a escrita no pólo baseada em textos do semestre, em abril. E na finalização desse semestre, estou me preparando para uma nova formulação de texto, semelhante a uma prova prática escrita e depois apresentação do mesmo em forma de workshop. A diferença é que antes fazíamos a síntese reflexiva do semestre aliada aos estudos e a nossa prática com antecedência, e agora na reta final de curso é na hora, tipo uma prova, no estilo quem sabe faz ao vivo, e eu gostei.
    Primeiramente, foi um susto, uma pressão. Mas depois do trabalho, pude constatar que melhorei na minha escrita, que estou menos sucinta e mais reflexiva do que antes. Ainda não está a meu contento, mas ao menos está melhor do que quando cheguei ao curso.



Ainda sobre os desafios da escrita!


   Sempre achei que já se nascia sabendo escrever ou falar bem. E que eu fizesse parte apenas do grupo da segunda opção: o da oratória. Mas ao longo do curso fui ampliando meus pensamentos e possibilidades, sendo motivada, "forçada" a escrever (no bom sentido) melhor, e acredito que não sairei deste curso como entrei em 2015, ufa: ainda bem. Pensei que o nosso TCC seria como os de outros cursos , que se escolheria um tema e eu, estava até buscando um que teria relação com a minha prática de magistério até então. Mas fiquei aliviada em saber que o TCC terá relação direta da nossa prática de estágio deste semestre. Acredito que melhorei na minha escrita e prática, mas escrever para mim continua sendo um desafio! 


domingo, 5 de agosto de 2018

Sobre as disciplinas do semestre...

   Das disciplinas que mais gostei esse semestre e que tiveram mais significado para mim, tenho a interdisciplina de EJA e de Linguagem & Educação, ambas ministradas pela professora Aline. Mais uma vez, assim como no semestre passado, as disciplinas e conteúdos abordados por ela fizeram toda a diferença nas minhas reflexões pessoais e profissionais, pois se interligaram. Indispensáveis a minha prática pedagógica e a minha postura profissional. Não tinha escrito isso antes no semestre anterior, mas como mais uma vez aconteceu. Adorei fazer a entrevista na EJA, porque esmo tendo trabalhado com tal modalidade, não conhecia a modalidade de alfabetização e fui super bem acolhida e atendida pela equipe de professores e pela escola em que fiz esse trabalho em Eldorado do Sul, pois o vide-diretor e supervisor deste lugar, tinha sido meu primeiro diretor em 1999.
   Já a disciplina de Didática eu gosto muito, pois prefiro a discussão e as aulas presencias foram maravilhosas. Porém a minha dificuldade, ainda está na leitura de grandes textos e na transposição a ser feita por mim. Sou grata as conversas e as dicas dadas pelo mestre Johann.
    Quanto a TCIS, o professor Daniel é um querido, paciencioso e atencioso. Deu atividades simples e de muita conexão com grande relevância, creio eu pensando nas pessoas que apresentam dificuldades com as ferramentas tecnológicas, assim como as minhas. Porém, ainda tenho medo e não sei fazer os tais mapas conceituais.
     Já ao seminário integrador 7, o que dizer dessa disciplina de apoio e das nossas professoras Rosane e Mariângela, gratidão pelas orientações, paciência, ensinamento e aprendizado. Agora é focar na oficina de pbworks para poder apresentar o estágio a contento e principalmente adequadamente, por ser umas das culminâncias do curso. 
   É corrida a nossa vida, mas já posso dizer que estou sentindo e sentirei saudades da UFRGS e de tudo mais aí! Obrigada.
   

Desmitificando mitos e reformulando concepções.

   Mesmo com 26 anos completos de magistério, entre estágio e docência, tendo apenas 41 anos de idade, tendo curso técnico em Magistério, a primeira graduação em Biologia, pós em Psicopedagogia, diversos cursos de extensão (muitos na UFRGS e outras universidades referência no RS), AEE...  sendo docente desde a educação infantil, passando por diferentes idades e níveis de ensino, até a formação e palestra de profissionais da educação e até mesmo conhecendo várias escolas e realidades de comunidade escolar.
  Sempre achei que ser professor era um dom, uma inteligência segundo Gardner, e que o ser professor já nascia quase pronto e encaminhado a área da educação. Mas ao longo da minha prática e estudos, principalmente na minha docência no curso de formação de professores e no cursar essa segunda graduação em Pedagogia, pude observar que em muitas vezes o aluno daria um ótimo professor e que outros nem tanto.
   Porém, mesmo sendo a maioria desses alunos esforçados e aparentemente excelentes pessoas e cidadãos, muitos que eu considerava ideal para ser professor, seguiram outros caminhos com maestria. Já outros com grande potencial, não tiveram perseverança, oportunidade ou tanta sorte assim, uma pena. E até mesmo, aqueles que não me pareciam que seriam mestres ou educadores tão brilhantes, insistiram e seguiram no sonho, mesmo com todas as suas limitações. Assim como eu, que tenho as minhas e você tem as suas limitações prosseguimos. 
   Ainda bem, que ao longo da vida, nos flexibilizamos e mudamos as nossas concepções, pois somos seres mutáveis em constante evolução e não sou mais assim, tão simplória.
   Não é o "canudo", que nos dá essa visão, mas sim a prática da sala de aula, o cotidiano, os estudos, as trocas nas rodas de conversa nos grupos da sala da universidade, tendo a visão do outro educador e profissional, comparada e refletida a minha. E isso, apenas cada um de nós no seu íntimo e reflexão pessoal e também profissional que podemos fazer. Até mesmo eu, que achava Paulo Freire como um discurso político e esquerdista demais, hoje vejo e tenho nele muito da minha fala, inspiração e sensibilidade, o que me orgulha bastante!


  

Ainda sobre a minha dificuldade de escrita e referências

   É claro que ao longo do curso fui melhorando e explorando mais a minha escrita e aprendendo a referenciar. Os maiores desafios virão no estágio e mais ainda no TCC. Mas já posso dizer sobre mim e a minha escrita: "Quem te viu e quem te vê!"
   Isso é fruto do incentivo, orientação e paciência dos professores, especialmente das professoras: Rosane e Mariângela que foram incansáveis comigo e com o grupo todo. é só ir lendo, vendo e comparando a escrita e a apresentação de meus trabalhos e também do meu blog para ver as mudanças e a evolução positiva.
   E agora que está chegando ao final do curso, ao mesmo tempo que vem o alívio e o orgulho da etapa e o desafio sendo vencidos, vem também a saudade de como será ficar sem a presença semanal das colegas e dessas professoras e pessoas maravilhosas em minha vida. Beijos de milhão, muita luz e paz no caminho e GRATIDÃO!!!

Ainda sobre a minha dificuldade sobre: TCIS (novas tecnologias).


Eu & as novas tecnologias

   Eu ainda me sinto com dificuldade com novas tecnologias, ainda um pouco uma analfabeta digital, com medo de fazer as coisas erradas e de trancar a máquina. Porém, um pouco menos temerosa e mais corajosa. Pois ao longo do curso, fui perdendo esse "medo" e aprendendo novos recursos e usos para a tecnologia digital. Porém, ainda assim procuro sempre inovar em minhas aulas e fazer uso das tecnologias para trabalhar melhor o conteúdo e fazer origem desse interesse dos alunos a nosso favor, para uma aprendizagem mais significativa.
  Ainda assim, vou fazer a oficina de pbworks com a professora Mariângela paralela a prática de estágio, para relembrar e reforçar as aprendizagens do início do curso. Eu sei que não justifica, mas talvez explique o fato de eu demorar para realizar as postagens dessa disciplina. Mas o desafio continua e seguimos em frente. Gratidão pela paciência e dedicação professor Daniel e equipe.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Minhas reflexões sobre a leitura do texto de Regina Hara sobre Paulo Freire

            Começo a minha reflexão, a partir deste trecho do texto dado:
“O processo de aprendizagem é dinâmico e ativo. Quando aceitamos que o homem seja sujeito na compreensão do mundo, aceitamos que também o seja na construção do seu conhecimento sobre a escrita, uma parcela do conhecimento social. Paulo Freire entende alfabetização como um ato de conhecimento, no qual "aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem.”

A construção do conhecimento, da escrita e da linguagem se dá não pela leitura da palavra e sim pela leitura de mundo e de sua significância. Daí tantas vezes aparecer ao longo da leitura dada e dos vídeos anteriores as citações das ideias, estudos e práticas pedagógicas de Paulo Freire, como o tema gerador por exemplo.
Não me atenho de forma alguma a apenas a representação do signo da palavra, mas sim no seu significado no cotidiano e na bagagem de cada educando da EJA. Isso vai muito além dos estudos de Emília Ferrero na construção da linguagem escrita. Aprofunda-se e contata-se que aquele que lê e escreve tem um papel social e mais politizado, não político e nem manipulado.
Além de ser mais fácil de aprender e estudar com o que se vive, nossas construções e relações com o nosso mundo aumentam, se fundamentam e também em especial se flexibilizam. Porém, isso aos nossos governantes não deve ser nada bom, porque povo que lê, que aprende e que estuda, também questiona a sociedade e principalmente o governo.
Talvez seja por isso que no nosso país o investimento em educação e nos professores seja tão inferior ao resto do mundo. Dá até para relacionar um pouco com o nosso hino rio-grandense: “Povo que não tem virtude acaba por ser escravo.”! Somos escravo da língua e assim por si só, do pensamento e das atitudes também.
           Há alguns anos atrás eu seria radicalmente contra os estudos e citações de Paulo Freire, por considerar que sua pregação fosse apenas radicalismo e exploração política. Mas ao longo do curso e como vimos no texto dado, suas citações e obra foram e são indispensáveis ao atual pensamento sobre educação no Brasil e no mundo. E ao longo do curso, dos meus trabalhos, estudos e postagens vi que em muito suas ideias e ideais também são meus. Porque temos essa mania de brasileiro de valorizar o que é de fora. Que bom que temos um professor e pensador em educação desse nível que nos representa perante a tantos outros de fora que estudamos a vida toda como professores. 

Mini dicionário de Paulo Freire


Neste semestre os trabalhos das disciplinas de EJA & Linguagem, ambas ministradas pela professora Aline, fizeram toda a diferença. Mais uma vez, as disciplinas e conteúdos ministrados por ela se encaixaram em cheio na nossa vida, gosto e prática pedagógica. Parabéns e gratidão professora Aline!

Educação Bancária e Educação Problematizadora
Educação bancária é o processo educativo no qual visava à submissão para um determinado tipo de comportamento no qual o sujeito era tido como fora de sua realidade de um sujeito acabado sem qualquer perspectiva de visão crítica no âmbito escolar. A educação bancária tinha como objetivo indivíduo passivo das suas atitudes
Para Freire “A educão bancária, nesse sentido, repercute como um anestésico, que inibe o poder de criar próprio dos educandos, camuflando qualquer possibilidade de refletir acerca das contradições e dos conflitos emergentes do cotidiano em que se insere a escola, o aluno”.
Já a problematização tem por vias a inserção da criticidade e problematização das coisas tornando o sujeito apto para o meio social no qual convive. É onde ele tem o conhecimento da realidade com boas práticas de política e diálogo, somente através dessas práticas irá ser capaz de fazer críticas. Para Freire (1996, p. 28), a educação problematizadora consiste na "força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeita".
É importante ressaltar que a educação bancária é um retrocesso no ensino e o professor deve repensar suas práticas pedagógicas. O docente deve procurar novas práticas de ensino possibilitando assim o ensino-aprendizagem dos seus alunos através do diálogo para futuros cidadãos críticos e autocríticos.

Diálogo e Dialogicidade
Com palavras de Freire “o diálogo implica uma práxis social, que é o compromisso entre a palavra dita e nossa ação humanizadora. Essa possibilidade abre caminhos para repensar a vida em sociedade, discutir sobre nosso ethos cultural, sobre nossa educação, a linguagem que praticamos e a possibilidade de agirmos de outro modo de ser, que transforme o mundo que nos cerca”. Então cabe elucidar que o diálogo é um ato humano no qual não é somente usando para obter algo ou algum resultado. É através do diálogo que conseguimos ter uma fala com os alunos justa e igualitária para todos, Freire usa as seguintes palavras para o diálogo “Educação Libertadora” com novos saberes. Com isso, nasce a dialogicidade que são os processos metodológicos para o ensino aprendizagem do indivíduo.

Emponderamento
Os autores Freire e Shor (1986), já no início alertam para os equívocos com a palavra e ao que seu significado pode conduzir. Empoderamento nesse caso, não se refere a dar poder a alguém, mas sim a se ter autonomia e independência na individualidade. E se ter o poder de se colocar perante aos demais com sua personalidade, respeitando o próximo e a sua comunidade. O Empoderamento não é egoísta, e sim pelo bem comum. É impossível ser livre, se não se tem consciência da realidade. E isso vai muito além dos muros da escola. A educação tornou-se multicultural e ecológica, e estendeu-se para a cidade e o planeta.
Num encontro em Genebra, Paulo Freire com o filósofo Ilan Illich em 1974, debateram as críticas da escola tradicional e a burocratização da instituição escolar frente à libertação coletiva e o redescobrimento da autonomia criadora. O filósofo Illich não encontra futuro e otimismo na escola, já em Freire sim. A escola pode mudar e ser mudada, de forma política e pedagógica.

Ler e Leitura
O ato de ler é evidenciado na leitura de mundo nos rações políticas, pois não basta somente ler um texto deve-se compreendê-lo criticamente. Isso tem relação direta com a leitura de mundo. Vinculado a alfabetização de adultos. Na obra Pedagogia do Oprimido, escrita no exílio no Chile, em 1967 dedica-se em especial a leitura do processo de alfabetização, em especial ao de adultos.
Trata-se da importância do ato de ler, em que o autor explicita a sua compreensão crítica e suas relações com a leitura da palavra, do mundo e da alfabetização de adultos. A importância do ato de ler por Freire, dar-se-á também por uma leitura e posicionamento político. Quando ele denomina “palavramundo” (Freire, 2001, p.12), contudo não se refere a um mundo vasto e distante, mas sim dos seus arredores, do seu chão e dos seus valores. Exemplo em que ele conta da sua própria alfabetização em 1920: “Minha alfabetização não me foi nada enfadonha, porque partiu de palavras e frases ligadas a minha experiência, escritas com gravetos no chão do quintal.” (Gadotti, 1996, p.31).
Assim Freire, desenvolveu a alfabetização por temas geradores, que serviu de inspiração a Brandão (2001) a escrever o livro: “História do menino que lia o mundo.”.

Leitura do Mundo
A leitura de mund precede a leitura da palavra. Do que adianta decifrarmos e decorarmos códigos se isso não ter significado e relação com a nossa vida, cotidiano ou meio. A leitura de mundo e da palavra é, em Freire, direito subjetivo, pois dominando os signos e sentidos, nos humanizamos, acessando mediações de poder e cidadania.
No livro a Pedagogia do Oprimido vê se que ninguém lê o mundo isolado. Os oprimidos, em comunhão, asseguram-se para não se deixarem ser transformados em coisas.             Ler a palavra é lê-la como corpo consciente molhado por uma história vivida num experimentado real de mundo. Não podemos nos acomodar e aceitar as ideologias, como um “prato-feito” por nossos opressores.
Se nossa humanização depende da leitura do mundo, essa humanização da palavra só se completará na luta da classe trabalhadora, sem fatalismos. Há um papel pedagógico e político nesse processo. O pedagógico é aprender a ler o seu mundo, nele e com ele; já o político consiste em fazer escolhas e saber posicionar-se.

Alfabetização
A alfabetização é um ato de amor não é algo mecanizado da memorização, provem do meio no qual o aluno esta inserido, pois é a partir deste contexto que se consegue ter o diálogo. Para que se tenha esse diálogo boas práticas educativas devem ser norteadoras.
Ensinar não é transmitir, mas estabelecer condições para sua construção, sendo que quanto mais crítico for este processo (ensinar e aprender) tanto mais se amplia a vontade de saber, a curiosidade epistemológica diante dos desafios que o mundo apresenta. (Borges. Pág. 34. S-D).
Então a leitura de mundo deve ser valorizada desta forma a práxis será transformada e compreendida na alfabetização do educando. As situações corriqueiras deles devem fazer parte central dos ensinamentos, assim aprenderam brincando com o seu cotidiano.

 Componentes: Débora Costa de Borba Silva & Luciane Scherer


Referências
Verbetes do Dicionário Paulo Freire. STRECK, Danilo R; REDIN, Euclides Redin, ZITKOSKI, Jaime José. Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica Editora. 2016. 3a edição

Analisando a didática



A preocupação com a forma de ensinar para que se tenha sucesso é antiga (1592-1670), que atende até hoje em pontos e objetivos principais: a consideração do aluno, a ensino igual para todos, a realismo do ensino e a importância que Comênio atribui ao bom relacionamento entre professor e aluno como fundamento para a aprendizagem do aluno. Pontos importantes, que nós como professores e eu como o tal levo consideração no processo de ensino-aprendizagem. Assim, como já lemos em outros autores como Piaget e Freire que a afetividade está diretamente ligada a aprendizagem.





As quatro propostas


Como é essa escola? 

"Decidi e escolhi postar este trabalho, porque a história contada nele me lembra em muito uma reunião de professores, um conselho de classe e/ou até mesmo as conversas do cotidiano de uma sala de professores. Como me lembra o ex professor Diogo Almeida que faz atualmente stand up."
         

Na situação da escola proposta na cena para o referido trabalho, temos diferentes tipos de professores em relação às propostas de trabalho, assim como também temos na realidade da nossa escola. Já na primeira lida da cena, identifiquei características das linhas pedagógicas estudadas ao longo do curso e relembradas no resumo de estudos para hoje. No contexto da sala de professores dessa escola junto a equipe diretiva para discutir as dificuldades dos alunos e os índices oficiais de avaliação vários se manifestam:
1. A primeira professora: Orquídea salienta em sua fala que elabora excelentes aulas, faz boas exposições e considera que esses alunos de hoje em dia não querem estudar. A minha primeira impressão e relação com os textos estudados é que esse encaixa com: “A maquinaria escolar”. Pois trata da aula expositiva, método tradicional, pedagogia diretiva que tem o professor como o centro do saber e das aprendizagens. Vejo pontos em comum da fala da professora Orquídea com a do professor Cravo e do diretor Antúrio.
2. A segunda professora: Margarida relata que opta por trabalhar com desafios, acha que os alunos aprendem mais. Ela trabalha de uma forma nem tão dependente que se encaixaria mais na pedagogia não-diretiva, em que a aprendizagem não depende diretamente do professor. Ela diz que enquanto os alunos trabalham nos grupos passa esclarecendo dúvidas, fazendo questionamentos e no fechamento apresentam as idéias e propõem soluções ao que foi trabalhado. Tende a mesclar a metodologia da escola democrática aliada ao construtivismo. Creio eu, que ela está no caminho por que tem segurança, objetivo e interesse, não receia o novo tem coragem! Esses ambientes ou espaços de ensino colocam os jovens estudantes e as suas vozes como os atores centrais do processo educacional, em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos, professores são pedagogos e facilitadores que participam do processo educacional auxiliando nas atividades de acordo com os interesses dos estudantes que as escolheram. Já quanto a relação da fala e prática dessa professora aliada a Escola Democrática temos o Construtivismo; é uma tese epistemológica que defende o papel ativo do sujeito na criação e modificação de suas representações do objeto do conhecimento. O termo começou a ser utilizado na obra de Piaget e desde então vem sendo apropriado por abordagens com as mais diversas posições ontológicas e mesmo epistemológicas. Caracteriza-se de forma negativa pela rejeição ao objetivismo pois defende que o objeto não determina completamente em um sujeito supostamente passivo as representações que este tem dele. Aliada também a essas práticas temos também o empirismo: O empirismo é caracterizado pelo conhecimento científico, quando a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das ideias, por onde se percebem as coisas, independente de seus objetivos ou significados. O empirismo consiste em uma teoria epistemológica que indica que todo o conhecimento é um fruto da experiência, e por isso, uma consequência dos sentidos. A experiência estabelece o valor, a origem e os limites do conhecimento. Práticas essas muito semelhantes citadas pela professora Margarida e também por mim.
3. A terceira professora: Rosa diz que considera que o professor deve escutar seus alunos, saber suas dificuldades e interesses. Eles definem o que vai ser trabalhado em aula, eu nem me meto (o que é estranho, triste e desinteressante). Pode parecer bagunça, mas as crianças precisam de liberdade de expressão. A meu ver tende a ser uma metodologia de educação libertária e/ou popular meio perdida na proposta construtivista sem um por que algum ou objetivos definidos. Parece que com esse tipo de trabalho quer demonstrar ser a professora boazinha ou moderninha. Essa situação lembra o início dos anos 90 quando o construtivismo chegou ao Brasil e como às idéias de Paulo Freire, não se sabia muito bem o que fazer e foram apenas fazendo. Diferentemente de hoje, em que fomos estudando, discutindo e testando as possibilidades e metodologias que mais se encaixam em nossa realidade escolar.
4. O quarto professor: Cravo diz que tem uma grande diferença do planejamento da escola pública para a particular (situação em que me encontro na atualidade), infelizmente a maioria das escolas particulares engessa o trabalho do professor, e eu estou tendo que recuar e me readaptar, o que me frustra grandemente. Relata que se aplicar a proposta da particular na pública nenhum aluno será aprovado. Na verdade, parece que não está preocupado com a aprendizagem doa seus alunos, apenas com os índices de aprovação e a lista de conteúdos cumprida. Esse tipo de professor ainda é muito comum, como a professora Rosa. Um age melhor na escola particular porque é mais bem pago e exigido por isso, já a outra procura colocar novidades na sua práxis pedagógica sem entendê-las muito bem, anda com o embalo da carruagem, atua sem saber por que, apenas por que tem que mostrar serviço. Temos muito professores, que ainda agem assim apenas “dão aula”, por que recebem no fim do mês, sem mais esforços, considerando o magistério algo menor ou mais fácil (até parece que é verdade).
5. O Diretor Antúrio: salienta que está preocupado com a disciplina na escola e com os índices de aprovação. Diz que: “o professor precisa ter o controle da turma, ele fala os alunos atendem. A escola sempre existiu e para as novas gerações o que se espera dela é que os conteúdos sejam dominados e os alunos disciplinados. Esse diretor age ainda como na época descrita no texto da maquinaria escolar, em que a escola serviria apenas para a produção em massa de trabalhadores braçais não preparados para questionar o sistema. Muitas equipes diretivas, escolas e professores ainda agem dessa forma, teoricamente, por dar menos trabalho e por atender aos interesses dos empresários e políticos mesmo nos tempos de hoje.
Ao que se contrapõe que foi escrito no texto da Maquinaria escolar, pois a escola que temos hoje foi criada em média há um século. A escola foi criada com o intuito de formar a socialização de crianças de classes populares. O Cônego Giginta, numa perspectiva de aplicação de teorias de Vivis, afirma que além de adestrar aos meninos pobres para um ofício e para ler, escrever e fazer contas. É claro com a intervenção da igreja, como o exemplo do RS. Já nas universidades há uma diferença, porque lá estudam os filhos da burguesia e o pensar e a criticidade seriam o foco, como assinala Durkhlein. Isso acontecia e ainda acontece devido aos interesses políticos e dos mais poderosos.

“Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitisse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”(Paulo Freire, 1992).

Como temos uma sintonia e interligação nas colocações dos três professores: Orquídea, Margarida e o Diretor Antúrio, amos lembram a escola tradicional a práxis da pedagogia diretiva da maquinaria escolar do século passado ainda vistas, em muito, na atualidade. Mesmo ainda à moda antiga estes profissionais sabem o que estão fazendo e estão seguros desse caminho.
Na fala da professora Margarida encontramos a pedagogia não- diretiva, em que o professor não é o centro e sim o orientador da aprendizagem. Essa professora está mais segura de sua prática metodológica e acredita que essa proposta agrada e incentiva os seus alunos (e eu concordo com ela). O que se relaciona com uma tentativa de empirismo na sua prática pedagógica.
Já a professora Rosa me parece confusa, insegura, perdida e desconectada com a aprendizagem real e significativa de seus alunos. Ela está ali porque esta apenas. Tenta aplicar o Construtivismo sem sabem exatamente como e por que. Acredita que se orientar seus alunos estará descaracterizando o construtivismo e desagradando os educandos. Ela tenta implantar a proposta de uma escola democrática sem saber exatamente como e sem objetividade.

Referências bibliográficas:

BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.


MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1). Disponível em: <https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/o-construtivismo-e-sua-funcao-educacional/>. Acesso em: 10 abr. 2018.


TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.


VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>. Acesso em: 10 abr. 2018.



domingo, 1 de julho de 2018

Até quando o conhecimento será dividido em gavetas?

É claro que precisamos de especialização e estudo, mas ao mesmo tempo necessitamos de deter de conhecimentos mais gerais e amplos de forma integrada. é como diria aquela frase de Cid Cercal:
"É preferível saber poucas coisas muito bem a saber de muitas coisas muito mal."
E isso vale muito na construção das nossas aprendizagens como seres humanos, e especialmente como cidadãos críticos.


Fonte: Harper, Babete et al. 
Cuidado escola! SP: Brasiliense, 1980.

domingo, 24 de junho de 2018

Pesquisando para escrever e referenciar corretamente



Ainda segue meu receio em escrever e referenciar, mas sigo buscando alternativas para melhorar até o final desse curso e pela vida adiante!












A aquisição da linguagem

Síntese: sobre aquisição da linguagem

Escolhi postar essa atividade, pois gostei de como ficou a construção do desse meu texto. Sempre fui muito receosa na minha escrita, mas creio que nesta síntese pude contemplar a expressão eficiente das minhas ideias de forma sucinta. 

Cognitivismo
            A abordagem construtivista, influenciada pelos estudos do biólogo e filósofo Piaget, rompe com o pensamento associacionista formulado por Skinner, pois afirma que a criança constrói uma compreensão sobre o funcionamento do mundo físico a partir de suas ações, é importante ressaltar que Piaget não se preocupou especificamente com uma teoria sobre a aquisição da linguagem. Seu objetivo prioritário foi o de entender a natureza do conhecimento humano, sendo suas análises sobre a linguagem secundárias e decorrentes dos estudos em torno da questão de como a criança desenvolve sua cognição, de como ela aprende.
            Para Piaget a linguagem não é inata, só o funcionamento da inteligência é hereditário, sendo dependente de ações sucessivas, exercidas sobre os objetos e o ambiente. A partir disso, o funcionamento intelectual, resultante de uma hereditariedade, viabiliza a interação do organismo com o mundo físico. Dessa interação são geradas estruturas de inteligência que, ao se desenvolverem, passam por uma série de estágios que se desenvolvem a partir da ação dos sujeitos sobre o mundo.
            Tais estágios construídos hierarquicamente em razão de certas propriedades do pensamento dividem-se em: sensório-motor, pré-operatório, operações concretas e formais. Para Piaget (1993), o surgimento da linguagem está na dependência de construções próprias da inteligência sensório-motora.
            “A linguagem não constitui a origem da lógica mas, pelo contrário, é estruturada por ela. Em outros termos, as raízes da lógica terão de ser buscadas na coordenação geral das ações (incluindo condutas verbais) a partir do nível sensório-motor cujos esquemas parecem ter importância fundamental desde o princípio. (Piaget, 1993, p.78)”
            A partir do primeiro estágio, a criança constrói um conjunto de subestruturas cognitivas que lhe servirá de base para o desenvolvimento da função simbólica. A função simbólica “consiste em poder representar alguma coisa, um significado qualquer: objeto, acontecimento, esquema conceitual, etc.). Por meio de um significante diferenciado e que só serve para a apresentação.” (Piaget, 1993, p.46).
            Segundo essa visão, a partir do surgimento da função simbólica                           no desenvolvimento infantil, ocorre a passagem do plano de ação para o plano de representação. Dessa maneira, o cognitivismo piagetiano pressupõe que a criança começa a estruturar num nível sensório-motor, a partir de suas ações, noções de tempo e espaço. À medida que suas funções cognitivas se desenvolvem, a criança conseguirá revelar, na sua linguagem, a evolução dessas noções.
            Algumas críticas e reflexões sobre o cognitivismo:
● Subestimar os aspectos culturais e históricos, bem como o papel das relações sociais no desenvolvimento da criança;
● Subordinar o desenvolvimento da linguagem ao desenvolvimento cognitivo;
● Desconsiderar a importância da linguagem no desenvolvimento cognitivo;
● Considerar a aquisição do conhecimento como fruto da interação entre organismo e ambiente, e não entre sujeitos.

Interacionismo
            O Interacionismo proposto pelo psicólogo soviético Vygotsky, parte do princípio de que o pensamento e linguagem não podem ser pensados separadamente, uma vez que atribui à atividade simbólica, viabilizada pela fala, uma função organizadora do pensamento.
            Nesse processo, ao social é atribuído papel de destaque, uma vez que é a partir dele que ocorre a inserção do sujeito no plano simbólico. Ou seja, a criança, no início da aquisição de sua linguagem, não é um sujeito já constituído, cujo acesso ao objeto linguístico se dá de maneira direta, isto é, não mediado pelo outro. Pelo contrário, Vygotsky considera que o sucesso de tal aquisição por parte da criança depende do outro, seja, de um membro de sua espécie, representante da ordem simbólica que se medirá, por sua vez, a relação da criança com estados e coisas do mundo.
O importante papel da linguagem na constituição do sujeito se manifesta pelo que se chama de internalização na ação e do diálogo. Entende o processo de internalização como uma reconstrução interna de uma operação externa, para a qual deve ocorrer uma atividade mediada pelo outro, já que a efetivação da internalização vai depender da reação de outras pessoas. Por fim, que a internalização de conhecimentos e da própria linguagem ocorrerá, dependendo da forma como a interação com o outro modificar e ampliar os recursos da criança.
            Sendo esse processo vivido por ambos, pode-se dizer que dá origem a uma história do discurso díade (entre a criança e aqueles que a assistem, entre a crianças com outras crianças). Podemos dizer que o diálogo passa a ser o lugar de inserção da criança na linguagem e, portanto, é a partir dele e, apenas dele, que o desenvolvimento da linguagem pode se efetivar.
            A partir dessa premissa, a atividade interpretativa do interlocutor é determinante na constituição da linguagem, uma vez que, quando uma criança produz som, uma palavra, um enunciado, o outro toma essa produção como um dizer dirigido a ele e, ao interpretá-lo, remete-o uma zona de significação e, portanto, insere a criança no curso do desenvolvimento da linguagem.
            Ressaltamos que para Vygotsky, a linguagem é uma atividade significante por excelência, bem como o pensamento, razão pela qual é no significado das coisas e das palavras que esse autor encontra a unidade entre o pensamento e a linguagem e, desse modo, dos elementos a partir dos quais o sujeito se constitui.
            “O significado de uma palavra representa uma amálgama tão estreita do pensamento e da linguagem, que fica difícil dizer se se trata de um fenômeno da fala ou de um fenômeno no pensamento. Uma palavra sem significado é um som vazio; o significado, portanto, é um critério da palavra, seu componente indispensável (Vygotsky, 1989, p. 404).”
            Chamamos atenção para o fato de que tal orientação teórica é extremamente fecunda para o ensino. Uma vez que, para Vygotsky, a linguagem tem papel preponderante na aquisição dos conhecimentos, há uma interdependência dos indivíduos no processo de ensino-aprendizagem.
           
             
                                                                                              

Minha síntese do semestre 6


            A cada semestre fica mais difícil conciliar o trabalho, a casa, a família e os estudos. Porém, ao mesmo tempo em que ficam mais difícil, as ligações criadas e estabelecidas do estudo das interdisciplinas ao longo do curso com a minha prática pedagógica em sala de aula se faz mais coerente e ligada.
 É interessante essa conexão, parece uma teia em que os conhecimentos se ligam como se fossem uma grande e complexa teia alimentar.
            Somos frutos do que nos acontece ao longo de nossas vidas, aprendemos com as experiências e não deixemos nos afetar pela negatividade, então de nada adianta se lamuriar.
            Nesse eixo investi nas disciplinas que mais tenho afinidade, interesse e gosto como citarei mais adiante. E pequei em Filosofia e Escola, cultura e sociedade. As aprendizagens ficaram e vamos rumo ao sétimo semestre!
            No início do semestre minhas considerações até leigas sobre aprendizagem eram:

            Aprendizagem para mim, é a assimilação dos conhecimentos e vivências do senso comum e experiências cotidianas adquiridas ao longo do tempo. Sendo estas relacionadas e reconstruídas com o senso científico, crítico adquirido na escola e demais ambientes que nos cerca.”
            Após as primeiras leituras:
            Após a leitura do texto, pude me aprofundar mais no tema, refletir e reconstruir melhor meu conceito. Assim, como o processo de aprendizagem perpassa pela assimilação, ambientabilidade e experiências, com diversas construções e reconstruções ao longo da vida, não somente na escola. Pois viver é um eterno aprender, mas já desde a nossa tenra existência e infância criamos vínculos e laços de afeto e assim estabelecemos a cognição, a construção, o desenvolvimento e o conhecimento segundo Piaget (isso para mim em especial é muito forte), além dos nossos instintos naturais de sobrevivência (genética, espécie e evolução), aprendemos e incluímos aprendizado também com o meio que nos rodeia (Wallon) com intermédio de quem convivemos e nos relacionamos, e na escola tendo o professor como orientador e mediador dessas aprendizagens, que devem ser significativas. Ao evoluir da nossa idade e maturidade, fazemos processo seletivo do que nos é válido aprimorar ou não.” (Observação: retirada da minha escrita no fórum).

            E ao longo do semestre esse conceito evolui e foi criando corpo, acredito que isso aparece na minha escrita e apresentação. Mas vai muito além disso, mesmo pesquisando e reconstruindo conceitos para aprendizagem, vejo que isso é muito pessoal como se percebe nas leituras do fórum e dos autores e como vemos nos relatos das apresentações dos colegas.

            “Aprendizagem com base em Piaget (1999) e Vygotsky (2000;2001) a aprendizagem é compreendida como um processo de apropriação pessoal do sujeito, um processo significativo que constrói um sentido de mudança.”



Parte A: O filme


            É difícil escolher uma cena do filme indicado: “Como estrelas na terra” ou até mesmo algumas, pois me emocionei muito com o mesmo e em até alguns momentos fui às lágrimas. Mesmo sendo um filme muito extenso, ele prende nosso interesse e atenção do início ao fim, sendo professor ou não. Digo isso porque meu filho de 14 anos assistiu comigo e se emocionou, não sei se é porque ele tem dificuldade em matemática e se identificou com isso, mas eu como aluna criança e atual professora me vi em ambas as situações ali apresentadas.
            Sendo assim, a cena que mais me tocou foi quando o novo professor de arte pesquisou nos cadernos do menino encontrando um padrão de escrita, verificando assim a dislexia. Emocionei-me até com o suspiro dele, por ter se identificado com aquela criança, por ter tido a sensibilidade de ter, realmente, ele o único que viu a natureza e o estigma carregado naquele menino. Tendo a iniciativa, a partir de então de viajar até os pais da criança (e eu já fiz muito disso de ir até a casa da criança para conhecer mais e conversar com a família), e apresentar a eles a situação e as potencialidades daquele filho.
            Outras cenas, que me tocaram profundamente foram em especial às reações do pai do menino, naquela angústia de acertar, ser disciplinado, criar e educar um filho para a competitividade do mundo lá fora, até mesmo a modelo do irmão. Demonstrava um sofrimento, um sentimento sincero de dor e de cobrança a si mesmo por não ter no filho mais novo os moldes que a sociedade quer, como se nós fôssemos todos bonecos de gesso sem expressão, apenas maquinicistas para a produção em massa.
            Esse sentimento é apenas humano, não me refiro a ser ou não educador, familiar ou estudioso. É claro que à medida que vivemos nosso desenvolvimento passa por experiências que nos modificam ao longo da vida. Nunca terminamos um dia igual ao outro, ainda bem, dou graças porque sempre aprendemos seja a experiência boa ou ruim ( e acredito que aprendemos mais com as não tão boas, porque temos que nos adaptar).
            A nossa prática e estudo nos auxiliam nesse olhar especial sobre a diversidade de pessoas e de saberes. Infelizmente, nem todos os professores possuem essa sensibilidade, já tive muitos colegas que estão no magistério por comodismo e até mesmo por considerar a pedagogia algo fácil, como se fosse possível. É incrível ainda ouvir em pleno século XXI, um professor se referindo que aluno só tem que copiar, não tem que abrir a boca porque o seu salário como professor será o mesmo no fim do mês (Estância Velha, 2017), para que se importar tanto.
            Retomando a história do filme e o seu início, também relacionando com a minha prática e própria história de vida, eu vi naquele menino a dificuldade que eu tinha em matemática até o final do ensino médio, quando era de uma forma discreta chamada de burra por alguns professores e nem tanto assim, pelos próprios colegas.
            Sabemos então que o bullyng (assédio moral), não é uma moda nova, que ele já existia e sempre existiu. Que as diferenças, a discriminação e o preconceito, infelizmente acompanham a história humana e escolar. Gostaria muito que acabassem, mas para tal o

respeito mútuo deveria ser uma lei universal, assim como a paz mundial que as moças pedem em concurso de miss. Não sei se a minha geração era mais forte, talvez se fosse eu não estaria redigindo isso aqui, porque as marcas na alma ficam. E isso não é coisa apenas da atualidade, da tão falada geração mimimi. Porque se vejo algum aluno machucando outro ou falando algum tipo de ofensa tomo as dores e saio em defesa do oprimido, como se defendesse a mim mesma e a toda a minha geração.
            Saliento que a beleza da vida está em sermos diferentes e em nossa especificidade. Que graça teria se fôssemos todos iguais, como algumas bactérias. Não estou dizendo que isso seja fácil e nem mesmo uma utopia, mas que juntos e de boa vontade podemos amenizar os problemas que nos distanciam, podemos ver beleza no ser do outro, em seu interior e valor.
            Aí a gente escuta aquela história que somente pessoas especiais receberiam a chance de ser pais de alunos especiais. Mas discordo dessa máxima, acho que somos pessoas comuns sendo pais e professores de pessoas especiais, para que aprendamos com eles. Aquilo que é muito normal, certinho ou clássico não nos desafia e se não nos desafia não nos ensina nada, porque não nos desacomodou e não nos levou a pensar em novas soluções e perspectivas.
            Não tinha escrito mais na primeira versão do texto, porque fiz na corrida após ver o filme no dia de postar em janeiro. Mas após isso, em algumas páginas que acompanho na rede social facebook apareciam a propaganda para assistir a esse filme que os senhores recomendaram, segui compartilhando para que qualquer pessoa que se interesse possa assisti-lo, não somente professores.
            Além disso, não escrevi mais antes porque estava esperando um retorno da comissão de vocês, professores, pois não queria fazer apenas um resumo até porque acho que esse não era o objetivo. E sim, relacionar a história do filme com a nossa práxis pedagógica e com a nossa vida cotidiana, até mesmo como pais ou reles mortais.
            Já na minha apresentação em slides, também feita no final de janeiro: desta vez coloquei apenas fotos relacionadas com as interdisciplinas e a minha prática e vida cotidiana de ações e pessoas que fazem parte da minha vida, porque baseada nas fotos consigo relacioná-las melhor ao invés de escrever grandes textos prefiro falar e explicar.
            Apesar de não endeusar nenhum teórico e preferir escrever por mim mesma, mesmo assim correndo alto risco. Tenho cada vez mais na minha vida e metodologia utilizado pensamentos do professor Paulo Freire como aparece de forma recorrente no meu blog, nas minhas sínteses, demais trabalhos e slides, por isso coloquei ele como referência bibliográfica, por me identificar com o seu alto grau de sensibilidade. Como é o meu caso, um ser não muito delicado afirmo que os ogros e os brutos também amam!

            As disciplinas que mais gostei esse semestre e com as quais mais aprendi, tem relação direta com essa minha escrita:

·         Necessidades especiais: já havia estudado na pós e no curso de AEE, mas pela visão da pedagogia me deu outro olhar e outro toque.

·         Étnico-raciais: adorei a atividade da entrevista com o rapaz de outra etnia, ouvir suas histórias, compartilhar suas vivências, anseio e até porque não a sua emoção, sua visão sobre viver no Brasil, etc.

·         Psicologia: para mim sempre uma disciplina e estudo fascinantes (ao longo de todo o curso), por estabelecer conexões das aprendizagens com as emoções, estudo e pensamento humano e seus reflexos em nosso cotidiano e práxis.

·         Seminário Integrador VI: a atividade dessa disciplina que mais gostei nesse semestre, foi a da enquete, mesmo sem saber fazer direito, ao menos foi mais uma ferramenta eu aprendi. E escolhi um tema sobre preconceito e discriminação ao qual sofro e me identifico.


Não sou muito boa em sustentar argumentos baseada em outros autores, não que os desconsidere para tal, porém prefiro usar dos meus argumentos, das minhas vivências e principalmente dos meus sentimentos para isso.
Ao ver que o filme era indiano, percebi ao longo da história que não á apenas em nosso país que temos esse tipo de falta de acessibilidade com os nossos alunos. E falo de acessibilidade como um todo, porque ter uma escola e sociedade acessível não basta ter apenas rampas, como a minha comadre cadeirante diz.
Falo de algo muito maior: princípios morais e éticos, autonomia, inclusão de deficiência, não meramente burocráticas ou físicas, mas sim reais, morais, humanizadas e concretas. Porque não somos como gesso para sermos enquadrados numa forma, somos pessoas e todas especiais em sua individualidade.
Devemos também como cidadãos e não apenas como professores, aproveitar esse ano de eleição para dar um basta e fazer uma renovação nas urnas, para termos aquilo que nos é legítimo: uma qualidade de vida igual e justa para todos!

Parte B: escolha do blog

      Ainda costumo ter dificuldade e certa restrição em escrever, pois sou da área das naturais e exatas e me saio melhor falando. Mas ao longo do curso, quando me apego com afinco e me concentro, vejo que já melhorei muito nessa caminhada e que vou melhorar ao longo do curso.
      Costumo escolher e fazer minhas postagens do blog das atividades que realizamos e as quais mais gostei e me identifico e de publicações e postagens que leio e vejo em páginas da internet relacionadas à área da educação. 
Escolhi essa pela mensagem embutida nessa colocação do pensador: Alvin Toffler, porque realmente acredito que aqueles que não sabem ou não fazem a reconstrução de suas aprendizagens ao longo de sua vida em nada aprenderam, apenas tem um conhecimento se si pode dizer assim, mecânico, como um analfabeto funcional, que pode ser facilmente manipulado.
Sendo assim, mais uma vez cito aquela frase de Paulo Freire, que tanto gosto, elucida e me guia sobre leitura de mundo:

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra!”


Considerações Finais:


            Após a apresentação do workshop do 6º semestre na semana anterior, pude repensar e refazer algumas reflexões e considerações acerca das aprendizagens e práticas do semestre, também pelas trocas que ocorreram durante a apresentação e por solicitação da professora Rosane, especialmente sobre fundamentação e argumentação teórica.
            Creio ter compreendido a importância da fundamentação teórica aliada a prática pedagógica, por não ser meramente reprodução de receitas prontas, como por exemplo quando trabalhamos na alfabetização as sílabas e os fonemas, estamos empregando a proposta da “Psicogênese da língua escrita”, de Emília Ferrero e Ana Teberosky.
E esclarecer e tratar melhor que quando digo que meu olhar mudou com o auxílio dos estudos da interdisciplinas, porque me fez perceber o aluno, o seu aprender e o seu desenvolvimento com outra percepção e sensibilidade. Isso auxilia no planejamento das atividades e metas significativas a serem alcançadas pelos alunos, e também por nós professores.
            Parei para pensar mais sobre a diferença entre desenvolvimento, a aprendizagem e a significação disso tudo, sendo assim fui pesquisar e ler mais sobre estes conceitos. Além de reler os estudos de Piaget sobre desenvolvimento.
            Segundo Piaget, o ser humano se desenvolve pela necessidade. Não somos tábuas rasas, nascemos com propensão de buscar a sobrevivência (instinto de vida) e evoluímos pela interação com o meio (necessidade e adaptação).  A maturação desse processo de desenvolvimento se dá através de equilíbrios e desequilíbrios, passando por assimilações (experiências e vivências) e finalmente pela acomodação que seria a aprendizagem (de fato significativa através dessas interações).

“Piaget propôs método da observação para a educação da criança. Daí a necessidade de uma pedagogia experimental que colocasse claramente como a criança organiza o real. Criticou a escola tradicional que ensinava a copiar e não a pensar. Para obter bons resultados, o professor deveria respeitar as leis e as etapas do desenvolvimento da criança. O objetivo da educação não deveria ser repetir ou conservar verdades acabadas, mas aprender por si próprio a conquista do verdadeiro.” 
(GADOTI 2004, pg 146)

            A partir daí seguem os estágios de desenvolvimento estudados e citados por ele, ressaltando que mesmo que faça uma média de idade no desenvolvimento infantil, eles não são regras e nem estanques, pois cada indivíduo tem seu tempo e especificidade. Já que só é aprendizagem aquilo que pode ser construído, desconstruído e reformulado. A aprendizagem só é significativa se realmente, houver aprendizagem de fato. Só para relembrar, resumidamente:

·         Sensório-motor (0 – 2 anos): O bebê relaciona tudo ao seu próprio corpo como se fosse o centro do mundo;
·                     Pré-operatório (2 – 7 anos): simbolismo, egocentrismo;
·         Operatório Concreto (7 – 11 anos): pensamento operatório, lógico, esquemas conceituais e senso moral e construção de valores;
·         Operatório Formal (12 anos em diante): hipótese, dedução e reversibilidade.

As aprendizagens continuam ao longo de toda a nossa vida, como já diria o professor Celso Antunes (neuroplasticidade), mas isso já é uma outra história para um novo capítulo e workshop (vou colocar no blog). Taí,  gostei do que escrevi!


                                                         Referências Bibliográficas:


·         Pedagogia da autonomia
Freire, Paulo
Ed. Paz e Terra, 2000

·         PIAGET, Jean. Epistemologia Genética. 4ª ed.  São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.

·         GADOTI, Moacir. História das Ideias Pedagógicas.  8ª ed. Ática, 2004.