Demorei muito a ler esse
texto e o achei muito bom, altamente reflexivo, claro e emotivo. Não sei se por
ter ditos deficientes na minha família e amigos próximos, mas me identifiquei
muito. Talvez até pelo fato da autora ser reconhecida deficiente e ter consigo
este sentimento, também por lembrar dos rótulos que nos são colocados pelos
outros, ao longo da nossa vida (no meu caso relacionado a minha obesidade e
espontaneidade).
Ao começar a ler o texto, me veio a mente uma charge sobre uma
avaliação “justa” entre os animais de diferentes espécies:
Essa imagem nos mostra como é realizado os testes, também na
vida das pessoas e como as diferenças nos classificam. Claro que ela denota
muito mis sobre avaliação, mas também nos faz refletir e sentir como somos
classificados e separados pela sociedade, sem ao menos termos oportunidades,
direitos e respeito a nossa igualdade, no nosso caso como seres humanos. Pois,
pouco importa se somos ricos ou pobres, magros ou gordos, pretos ou brancos,
ditos “normais” ou especiais.
Coloco a palavra normal entre aspas, porque não gosto e nem
concordo com a sua conotação. Acredito que a palavra normal é apenas um termo
que a sociedade impõe. Todos são normais dentro do nosso normal, todos somos
capazes dentro de nossas próprias capacidades e todos somos especiais, porque
somos únicos, daí indivíduos: a graça e a beleza da vida. Como diria aquele
poema: somos anjos de uma só asa, somente abraçados podemos voar (de autor
desconhecido).
Não estou sendo hipócrita ou singela em dizer que trabalhar
com inclusão é uma tarefa fácil, porque não é. Precisamos de preparo e
recursos, que na maioria das vezes nem temos e nem iremos ter. Eu no início,
confesso tive receio, muito medo de não saber como tratar, proceder e até mesmo
lidar no dia-a-dia. Mas aos poucos, eles vieram surgindo na minha sala de aula
e lhe digo que a melhor metodologia e práxis pedagógica foram e ainda é o amor.
Aceitá-los com respeito, carinho e paciência, sem dúvida é o primeiro passo. Se
dispor a aprender com eles é algo inigualável e imensurável. Claro que
aprendemos com todos, todos os dias, mas com eles é mais. Aí me vem dois
pensamentos maravilhosos: Piaget, em que ele diz na aprendizagem 50% é cognição
e 50% é emoção; e também: Cora Coralina, em que ela diz que o professor é
aquele que sempre aprende com o outro, no seu cotidiano. Diante disso o que
mais dizer!
Meus alunos especiais começaram a chegar a mim em 2000. Neste
ano tive um esquizofrênico adolescente em biologia no E.M e depois destes mais
4 com essa característica. Ao longo dos anos, vários TDHA, 3 autistas, 2
deficientes visuais (ver citação no meu blog) e outras dificuldades de
aprendizagem. A minha formação em biologia com especialização em psicopedagogia
e o curso de AEE, me auxiliaram sem dúvida, nessa caminhada. Mas em primeiro
lugar sempre foi meu coração.
Quanto às questões e definições particulares sobre o texto,
assim seguem:
·
Deficiência: déficit em relação ao padrão
social, como exemplo: falta de um membro, um sentido ou de compreensão de modo
geral.
·
Incapacidade: é o sujeito se sentir incapaz
de fazer ou produzir algo ou alguma atividade. Sem ter nenhuma relação com ser
deficiente. Pois, a pessoa pode ser dita “normal” e assim mesmo ser ou
sentir-se incapaz.
·
Desvantagem: é não ter as mesmas condições de
equiparidade, oportunidade, justiça e educação a todos, independente de suas
condições sociais, físicas, etc...
Algumas das minhas conclusões a partir deste texto, disciplina
e experiências pessoais e profissionais ao longo da minha vida:
·
Mito: Todo o deficiente é incapaz!
·
Preconceito: Que o dito deficiente não
aprende! Cada um de nós aprende, no nosso ritmo e ao nosso próprio tempo, mas
todos aprendemos. Como diria Renato Russo na letra de Tempo perdido: temos
nosso próprio tempo!
·
Mecanismos para atender os N.E na sala de
aula: 1º. Amor e receptividade; 2º. Respeito, preparo e estudo; 3º. Adaptação e
recursos.
·
O verdadeiro deficiente pode ser qualquer um
de nós, que não possui capacidade de adaptação ou que desistiu de viver e
aprender!
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