sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Minhas reflexões sobre crocodilos e avestruzes

Demorei muito a ler esse texto e o achei muito bom, altamente reflexivo, claro e emotivo. Não sei se por ter ditos deficientes na minha família e amigos próximos, mas me identifiquei muito. Talvez até pelo fato da autora ser reconhecida deficiente e ter consigo este sentimento, também por lembrar dos rótulos que nos são colocados pelos outros, ao longo da nossa vida (no meu caso relacionado a minha obesidade e espontaneidade).
       Ao começar a ler o texto, me veio a mente uma charge sobre uma avaliação “justa” entre os animais de diferentes espécies:
       Essa imagem nos mostra como é realizado os testes, também na vida das pessoas e como as diferenças nos classificam. Claro que ela denota muito mis sobre avaliação, mas também nos faz refletir e sentir como somos classificados e separados pela sociedade, sem ao menos termos oportunidades, direitos e respeito a nossa igualdade, no nosso caso como seres humanos. Pois, pouco importa se somos ricos ou pobres, magros ou gordos, pretos ou brancos, ditos “normais” ou especiais.
       Coloco a palavra normal entre aspas, porque não gosto e nem concordo com a sua conotação. Acredito que a palavra normal é apenas um termo que a sociedade impõe. Todos são normais dentro do nosso normal, todos somos capazes dentro de nossas próprias capacidades e todos somos especiais, porque somos únicos, daí indivíduos: a graça e a beleza da vida. Como diria aquele poema: somos anjos de uma só asa, somente abraçados podemos voar (de autor desconhecido).
       Não estou sendo hipócrita ou singela em dizer que trabalhar com inclusão é uma tarefa fácil, porque não é. Precisamos de preparo e recursos, que na maioria das vezes nem temos e nem iremos ter. Eu no início, confesso tive receio, muito medo de não saber como tratar, proceder e até mesmo lidar no dia-a-dia. Mas aos poucos, eles vieram surgindo na minha sala de aula e lhe digo que a melhor metodologia e práxis pedagógica foram e ainda é o amor. Aceitá-los com respeito, carinho e paciência, sem dúvida é o primeiro passo. Se dispor a aprender com eles é algo inigualável e imensurável. Claro que aprendemos com todos, todos os dias, mas com eles é mais. Aí me vem dois pensamentos maravilhosos: Piaget, em que ele diz na aprendizagem 50% é cognição e 50% é emoção; e também: Cora Coralina, em que ela diz que o professor é aquele que sempre aprende com o outro, no seu cotidiano. Diante disso o que mais dizer!
       Meus alunos especiais começaram a chegar a mim em 2000. Neste ano tive um esquizofrênico adolescente em biologia no E.M e depois destes mais 4 com essa característica. Ao longo dos anos, vários TDHA, 3 autistas, 2 deficientes visuais (ver citação no meu blog) e outras dificuldades de aprendizagem. A minha formação em biologia com especialização em psicopedagogia e o curso de AEE, me auxiliaram sem dúvida, nessa caminhada. Mas em primeiro lugar sempre foi meu coração.
       Quanto às questões e definições particulares sobre o texto, assim seguem:
·         Deficiência: déficit em relação ao padrão social, como exemplo: falta de um membro, um sentido ou de compreensão de modo geral.
·         Incapacidade: é o sujeito se sentir incapaz de fazer ou produzir algo ou alguma atividade. Sem ter nenhuma relação com ser deficiente. Pois, a pessoa pode ser dita “normal” e assim mesmo ser ou sentir-se incapaz.
·         Desvantagem: é não ter as mesmas condições de equiparidade, oportunidade, justiça e educação a todos, independente de suas condições sociais, físicas, etc...
       Algumas das minhas conclusões a partir deste texto, disciplina e experiências pessoais e profissionais ao longo da minha vida:
·         Mito: Todo o deficiente é incapaz!
·         Preconceito: Que o dito deficiente não aprende! Cada um de nós aprende, no nosso ritmo e ao nosso próprio tempo, mas todos aprendemos. Como diria Renato Russo na letra de Tempo perdido: temos nosso próprio tempo!
·         Mecanismos para atender os N.E na sala de aula: 1º. Amor e receptividade; 2º. Respeito, preparo e estudo; 3º. Adaptação e recursos.

·         O verdadeiro deficiente pode ser qualquer um de nós, que não possui capacidade de adaptação ou que desistiu de viver e aprender!

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